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                <journal-title>Revista Direito Público</journal-title>
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            <issn pub-type="epub">2236-1766</issn>
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                <publisher-name>Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa</publisher-name>
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            <article-id pub-id-type="doi">10.11117/rdp.v20i105.6898</article-id>
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                    <subject>ASSUNTO ESPECIAL</subject>
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                <article-title>GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS DA EDUCAÇÃO EM PAULO FREIRE E SEUS CONTRIBUTOS PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES COM PRÁTICAS PEDAGÓGICAS INTERDISCIPLINARES QUE PERMEIAM OS DIREITOS HUMANOS.</article-title>
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                    <trans-title>STUDY AND RESEARCH GROUP ON EDUCATION IN PAULO FREIRE AND ITS CONTRIBUTIONS TO TEACHER TRAINING WITH INTERDISCIPLINARY PEDAGOGICAL PRACTICES THAT PERMEATE HUMAN RIGHTS.</trans-title>
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                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-0363-723X</contrib-id>
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                        <surname>MEDEIROS</surname>
                        <given-names>DAYANE LOPES DE</given-names>
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                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-6288-9405</contrib-id>
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                        <surname>MELO</surname>
                        <given-names>MARIA APARECIDA VIEIRA DE</given-names>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio Grande do Norte</institution>
                <institution content-type="orgdiv1">Grupo de Estudos e Pesquisas da Educação em Paulo Freire</institution>
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                    <named-content content-type="city">Caicó</named-content>
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                <country country="BR">Brasil</country>
                <institution content-type="original">Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Grupo de Estudos e Pesquisas da Educação em Paulo Freire (UFRN/GEPEPF). Caicó (RN). Brasil.</institution>
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            <author-notes>
                <fn fn-type="other" id="fn01">
                    <label>Dayane Lopes de Medeiros 1</label>
                    <p>PEDAGOGIA (LICENCIATURA) - UFRN; Graduanda em pedagogia, licenciatura na UFRN, CERES, Campus Caicó. Bolsista de Pesquisa: Práticas Pedagógicas Decoloniais. Estudiosa e pesquisadora da educação popular, direitos humanos e descolonialidade. Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisa da Educação em Paulo Freire (GEPEPF). Associada e líder da Brasil Soka Gakai Internacional (BSGI). Musicista. Graduanda em busca de soluções/possibilidades para uma educação que proporcione o bem humano, a felicidade do aluno (Daisaku Ikeda), a liberdade e dignidade de vida! Para alcançar meu objetivo busco estudar os movimentos sociais e a educação popular com foco na descolonização da fundamentação teórica (que incluem a luta pela implementação dos Direitos Humanos, a luta feminista, a luta LGBTQIA+, a luta dos pretos e muitas outras que buscam a valorização do sujeito e seu lugar no mundo) e como estes se relacionam direta e indiretamente com uma educação mais inclusiva, equitativa quanto aos Direitos Humanos. 1</p>
                </fn>
                <corresp id="c01">E-mail: <email>m_aparecida_v_melo@hotmail.com</email>
                </corresp>
                <fn fn-type="other" id="fn02">
                    <label>Fabiola Xavier Vieira Garcia</label>
                    <p>Doutora em Educação pela UFPB (2020). Mestra em Educação, Culturas e Identidades pela UFRPE/FUNDAJ (2015). Pedagoga pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (2010). Especialista em: Psicopedagogia (2012); Gestão Pedagógica (2013); Educação em direitos humanos (2014), Educação do campo (2015), História e cultura dos povos indígenas (2015), Tecnologias e artes (2019). Docente da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Unidade de Lotação: Centro de Ensino Superior do Seridó (CERES). Docente Permanente do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos (PPGDH) da Universidade Federal de Pernambuco. Líder do Grupo de Pesquisas: Estudos e Pesquisas da Educação em Paulo Freire (GPEPEPF/UFRN), Pesquisadora do Cognição, Aprendizagem e Inclusão (GPCAI/UFRN) e Pesquisadora do Laboratório de Educação, Novas Tecnologias e Estudos Étnico-Raciais (LENTE/UFRN). Interesses em: Direitos Humanos, Gestão e Políticas Educacionais, Educação do campo, Educação popular, Movimentos sociais, Processos educativos, Interdisciplinaridade, Formação de professores, Livros didáticos, EJA, Transdisciplinaridade, Estágio supervisionado, EaD, Pedagogia Social.</p>
                </fn>
                <corresp id="c02">E-mail: <email>fabiolaxvg@adv.oabsp.org.br</email>
                </corresp>
            </author-notes>
            <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
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                <year>2023</year>
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                <season>Jan-Mar</season>
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            <volume>20</volume>
            <issue>105</issue>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution Non-Commercial</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que sem fins comerciais e que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
                </license>
            </permissions>
            <abstract>
                <title>RESUMO</title>
                <p>A formação de professores deve fazer jus a práticas pedagógicas interdisciplinares que permeiem os direitos humanos. Assim, temos por finalidade investigar o contributo que o Grupo de Estudos e Pesquisas da Educação em Paulo Freire (UFRN, 2001) tem favorecido para formação de professores por meio da interdisciplinaridade como nexo pedagógico dos direitos humanos. Parte-se do pressuposto investigativo: Como a pesquisa e a extensão contribuem com a formação de professores sob a ótica da interdisciplinaridade na promoção dos direitos humanos? O artigo tem como objetivo geral: Investigar o contributo que o GEPEPF traz para a formação de professores com práticas pedagógicas interdisciplinares que permeiem os Direitos Humanos. Já os objetivos específicos são: mapear as ações de extensão realizadas pelo grupo; escavar as categorias analíticas que vêm sendo trabalhadas nas ações de ensino, pesquisa e extensão; e explicitar as contribuições teóricas metodológicas que o estudo no grupo tem favorecido para a formação de professores interdisciplinarmente em prol dos Direitos Humanos. Justifica-se como importante para o processo de autoconhecimento e autoavaliação numa constante busca por ações transformadoras. A pesquisa é de natureza qualitativa, sendo a autobiografia, a que favorece a análise e descrição das ações, com análise de conteúdo em Bardin, (2010) em torno das categorias analíticas: interdisciplinaridade (FAZENDA, 2002), direitos humanos (SILVA, 2008) e prática pedagógica (ARROYO, 2009, FREIRE, 1987). Os resultados deste mapeamento e escavação nos possibilitou enumerar nossas ações em 33 eventos, e 11 produções. Destacamos que a formação de professores interdisciplinar se faz em movimento.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>ABSTRACT</title>
                <p>Our purpose is to investigate the contribution that the Group of Studies and Research on Education in Paulo Freire (UFRN, 2001) has favored for teacher training through interdisciplinarity as a pedagogical nexus of human rights. It starts with the investigative assumption: How do research and extension contribute to teacher training from the perspective of interdisciplinarity in the promotion of human rights? The article has the general objective: To investigate the contribution that GEPEPF brings to the training of teachers with interdisciplinary pedagogical practices that permeate Human Rights. The research is of a qualitative nature, being the autobiography, which favors the analysis and description of the actions, with content analysis in Bardin, (2010) around the analytical categories: interdisciplinarity (FAZENDA, 2002), human rights (SILVA, 2008) and pedagogical practice (ARROYO, 2009, FREIRE, 1987). The results of this mapping and excavation allowed us to list our actions in 33 events, and 11 productions.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>PALAVRAS-CHAVE</title>
                <kwd>Formação de professores</kwd>
                <kwd>Interdisciplinaridade</kwd>
                <kwd>Direitos Humanos</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>KEYWORDS</title>
                <kwd>Teacher training</kwd>
                <kwd>Interdisciplinarity</kwd>
                <kwd>Human Rights</kwd>
            </kwd-group>
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        </article-meta>
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    <body>
        <sec>
            <title>GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS DA EDUCAÇÃO EM PAULO FREIRE</title>
            <p>O Grupo de Estudos e Pesquisa da Educação em Paulo Freire (GEPEPF) é um grupo de pesquisa inscrito na plataforma do CNPQ em funcionamento desde abril de 2021 no Departamento de Educação da UFRN - CERES/CAICÓ. Sendo composto por pesquisadores, estudantes, professores e alunos da UFRN, o grupo engloba também professores e alunos da UFPE, e da UFAL. Vem desenvolvendo atividades de estudos e pesquisas em diversas temáticas relacionadas à Educação Popular, aos Direitos Humanos, a Educações e diversidades e a Decolonialidade.</p>
            <p>Atualmente, o Grupo de Estudos e Pesquisas da Educação em Paulo Freire, coordenado pela Professora Doutora Maria Aparecida Vieira de Melo, está distribuído em quatro linhas de pesquisas divididas entre seus pesquisadores conveniados, colaboradores e estudantes das temáticas. As linhas de pesquisa são: Didática: educações e diversidades, Educação de Jovens, Adultos e Idosos, Educação integral e Processos de ensino-aprendizagem: Pedagogia decolonial.</p>
            <p>Este grupo se relaciona com instituições como o Centro Paulo Freire - Estudos e Pesquisas e os Grupos de Pesquisa: Laboratório de Educação Aplicada às Novas Tecnologias e Estudos Étnico-Raciais (LENTE)/CNPQ, e o Núcleo de Estudos Agrários e Dinâmicas Territoriais (NUAGRÁRIO-UFAL).</p>
            <p>Tem foco na formação de professores e como esta deve fazer jus a práticas pedagógicas interdisciplinares que permeiem os Direitos Humanos. Aqui, neste artigo, pretende-se descrever as ações do GEPEPF no direcionamento desta formação de professores desde 2021 e quais resultados conseguiu-se obter até o momento desta escrita, dezembro de 2022.</p>
            <p>Procurando responder à pergunta: como vêm sendo realizadas as ações de ensino, pesquisa e extensão no grupo do GEPEPF para a formação de professores interdisciplinarmente em prol dos Direitos Humanos? O artigo tem como objetivo geral: Investigar o contributo que o GEPEPF traz para a formação de professores com práticas pedagógicas interdisciplinares que permeiem os Direitos Humanos. Já os objetivos específicos são: mapear as ações de extensão realizadas pelo grupo; escavar as categorias analíticas que vêm sendo trabalhadas nas ações de ensino, pesquisa e extensão; e explicitar as contribuições teóricas metodológicas que o estudo no grupo tem favorecido para a formação de professores interdisciplinarmente em prol dos Direitos Humanos.</p>
            <p>As fontes de dados serão o canal do Youtube do próprio grupo, as produções em eventos e ebooks, a participação ativa na organização e apresentação de trabalhos no ENCCULT, no EIPE e em outros eventos, ainda contando com o armazenamento de dados no drive do grupo de pesquisa e a realização de encontros semanais para estudo teórico e outras articulações.</p>
            <p>Será utilizada como metodologia a pesquisa autobiográfica com análise de conteúdo, Bardin (2010). A fundamentação teórica acontecerá em torno da formação de professores (LDB 9394/96 e outros documentos normativos); a interdisciplinaridade (FAZENDA, 2002), os Direitos Humanos (SILVA, 2008) e a prática pedagógica (ARROYO, 2009, FREIRE, 1987) e outros autores.</p>
            <p>O projeto de pesquisa que faz parte do Grupo de Estudos e Pesquisas da Educação em Paulo Freire partiu das pesquisas realizadas no processo formativo continuado pela Professora Doutora Maria Aparecida Vieira de Melo, coordenadora do grupo. Como todas as pesquisas e estudos deixam lacunas, não há como dar conta de todas as problemáticas que permeiam a diversidade cultural, sobretudo, quando se reporta a educação do campo que carece de políticas públicas educacionais.</p>
            <p>Dentre as lacunas citadas em suas pesquisas e estudos, a coordenadora Maria Melo destaca a necessidade de aprofundamento sobre a formação em Direitos Humanos para os professores do campo, tendo em vista que, o direito a educação de fato só é garantido quando os sujeitos de direito podem dele usufruir.</p>
            <p>A implantação ou concretização de práticas pedagógicas interdisciplinares que permeiem os Direitos Humanos estão no centro de importância nas pesquisas e ações realizadas pelo grupo, e escrever um artigo para mapear estas ações, escavando as categorias analíticas e explicitando as contribuições teóricas metodológicas dos estudos se justificam como importantes para o processo de autoconhecimento e autoavaliação numa constante busca por ações transformadoras.</p>
            <p>Destacando o legado de Paulo Freire como fundante para o desenvolvimento do projeto de pesquisa que é objeto de estudo deste artigo e para o descrever, deseja-se obter um bom desdobramento que possa inspirar outras ações com a descrição analítica e reflexiva, a fim de melhorar as próprias práticas pedagógicas através de observação e análise do que fora vivenciado, percebendo as faltas (como uma pesquisa inacabada) e valorizando as conquistas deste ato de autopoiese.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>COMO ACONTECE A INVESTIGAÇÃO AUTOBIOGRÁFICA</title>
            <p>Pensar Paulo Freire é entender que o autor renomado se considerava um educador, por isso pesquisador, e, portanto, declarava-se sempre inacabado por ser um cientista da educação. É nesse mote que o Grupo de Pesquisas aqui autobiografado se identifica: processualmente formativo e ativo, em constante construção e reconstrução na concretude de ser um coletivo de pessoas, aprendizagens e experiências reflexivas.</p>
            <p>O Grupo de Estudos e Pesquisas da educação em Paulo Freire, coordenado por Maria Aparecida Vieira de Melo procura através de estudos e pesquisas, repensar permanentemente os seus achados, aprender com eles e realizar mudanças concretas nas práticas pedagógicas dos professores participantes deste movimento formativo, construindo assim outras teorias.</p>
            <p>Avançando na reformulação e aprimoramento de conhecimentos, conceitos e paradigmas que pensem outras práticas educativas/pedagógicas e sua progressão, o GEPEPF atua diretamente na formação de professores para uma pedagogia do movimento e uma esperançosa educação no Século XXI.</p>
            <p>Tendo como fontes de investigação o canal do Youtube do próprio grupo, onde aconteceram importantes ações formativas e abertas ao público simpatizante e aprendiz (aprendiz na condição de busca de informações e reflexões nelas surgidas, sendo, no caso, todos aqueles que por ventura participaram das lives e assistiram a posteriori); as produções em eventos e ebooks, por parte dos integrantes do grupo e a participação ativa na organização e apresentação de trabalhos no “<bold>ENCCULT, 2021 e 2022</bold>”, “<bold>Séries II: Diálogos com Paulo Freire, 2022</bold>”, “<bold>VI Fórum de Leituras Paulo Freire da Região Norte, 2022</bold>” e outas ações, desde de 2021 muito vem contribuindo com o desenvolvimento de professores que se constituem na teoria freiriana.</p>
            <p>A pesquisa aqui realizada sendo científica caracteriza-se na dimensão articulada rigorosa, visionária e radical, ou seja, uma padronização que segue as normas existentes no meio científico e busca as origens de cada problema e objeto propostos. Sendo ela do campo educacional, tem crivo crítico reflexivo que possibilitam consciência e ação voltadas ao objeto de estudo com atenção especial do pesquisador. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B12">Lima (2001)</xref> a pesquisa educacional através de apresentação de uma realidade crítica que paute a transformação, de acordo com as leis da dialética, busca encontrar soluções reais para problemas existentes em concretude.</p>
            <p>A pesquisa tem abordagem qualitativa, pois o objeto de estudo são os sujeitos e as consequências do processo ensino aprendizagem. Uma abordagem de cunho qualitativo, visa a leitura dos seres humanos e suas relações, na busca por estratégias de compreensão. Ou seja, o intuito é recuperar os sentidos, as percepções, os significados e a subjetividade dos participantes respondentes mediante a sua compreensão e interpretação (<xref ref-type="bibr" rid="B12">LIMA, 2001</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B09">GAMBOA, 2003</xref>).</p>
            <p>Com estratégia de investigação qualitativa, a pesquisa é autobiográfica e narra a história de vida do Grupo de Estudos e Pesquisas da Educação em Paulo Freire (GEPEPF), como acontece sua leitura de mundo, a relação com os sentimentos, as percepções e interações com o contexto social em que estão situados o grupo e seus componentes. Sendo interventiva na prática e na formação de professores, quando atua em campo educacional, a pesquisa autobiográfica confere a possibilidade de descrição e compreensão do meio e os elementos que o movimentam (<xref ref-type="bibr" rid="B18">PASSEGGI, SOUZA E VICENTINI, 2011</xref>).</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B05">Carvalho (2003, p. 287)</xref> diz: “O laço indissociável entre a experiência e a sua (re)elaboração na condição narrativa – enquanto abertura para revivificar e ao mesmo tempo recriar o vivido – é central para a análise de relatos autobiográficos.” Ao passo que <xref ref-type="bibr" rid="B17">Névoa (2010)</xref> destaca o encontro de múltiplas possibilidades no estudo autobiográfico em que acontece um diálogo entre o eu pessoal e o eu social, a narradora é também autora do texto. Esta se escuta, avalia e comunica o que considera ser importante.</p>
            <p>Realocada a pesquisa autobiográfica na pesquisa qualitativa, considera-se que a abordagem remete à pesquisa-ação-formação, ou seja, utiliza-se da narrativa para estudar os indivíduos participantes e seu processo de interiorização mediante a biografização. Sob essa outra perspectiva “[...] não se busca uma ‘verdade’ preexistente ao ato de biografar, mas sim como os indivíduos significam suas experiências e (re)significam suas consciências históricas de si e de suas aprendizagens, mediante o processo de biografização”. (<xref ref-type="bibr" rid="B18">PASSEGGI, SOUZA e VICENTINI, 2011</xref>, p.371).</p>
            <p>O GEPEPF no intuito de fomentar o desenvolvimento de práticas pedagógicas interdisciplinares permeando os direitos humanos busca estudar periodicamente textos diversos que abarcam as temáticas do grupo e uma importante autora frequentemente estudada foi Ivani Fazenda, que define a interdisciplinaridade como uma atitude, uma maneira de ser e fazer relacionada a uma nova maneira de enxergar e lidar com o conhecimento. Os encontros e movimentos do GEPEPF concentram-se em viver de modo interdisciplinar, através da realização de estudos e pesquisas e sua constante divulgação em eventos, revistas e ebooks como uma maneira de perceber e realizar a educação. Compreendemos que é na prática que a interdisciplinaridade de fato se constitui, pois esta não é uma mera união, junção, ligação de tudo, mas, um aprofundamento necessário e integral de conhecimentos, saberes, ideias, ações e possibilidades.</p>
            <p>A análise dos intentos e ações do Grupo de Pesquisa detecta lacunas na formação de professores que trabalhem os Direitos Humanos e a interdisciplinaridade em suas práticas nas aulas. Desse modo, percebe-se que a instrumentalização dos profissionais de educação no caminhar frente a compreenderem-se como pesquisadores, é um bom intento direcionador das ações do grupo num mote de continuidade e permanência por uma educação descompartimentalizada e com significados para seus envolvidos.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>FUNDAMENTOS DAS PESQUISAS REALIZADAS PELO GEPEPF</title>
            <p>A educação do campo enfrenta retrocessos significativos como a nucleação das escolas do campo: muitas escolas fechadas, péssimas condições nos transportes escolares, professores sem formação inicial e continuada, material didático extinto. Acerca destes acontecimentos eis o fragmento que assinala “a partir de dados do Instituto de Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD, 2017), a taxa de analfabetismo no campo é de 17,7%, contra 5,2% nas cidades. Já a escolaridade média é de 8,7 anos no campo e 11,6 nas cidades” (<xref ref-type="bibr" rid="B01">BRASIL DE FATO, 2020</xref>). Tais dados nos mostram o quanto que a situação é agravante no que concerne a garantia do direito a educação para a população do campo.</p>
            <p>Também sabe-se sobre a existência do analfabetismo que ainda não foi erradicado no Brasil, ainda mais na região Nordeste. Diante deste cenário educativo destaca-se o direito que toda criança tem a escolarização, sobretudo as crianças camponesas, tal como está posto no ECA 8.069/90 que preconiza em seu Art. 53. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho (<xref ref-type="bibr" rid="B02">BRASIL, 1990</xref>).</p>
            <p>Desse modo, vale ressaltar que a finalidade da educação é crucial para o exercício da cidadania, a qualificação para o trabalho e o pleno desenvolvimento de sua pessoa. Entretanto, o que ainda prevalece no campo é o trabalho infantil, cuja atividade acarreta a negação ao direito a educação, logo tem o direito a educação violado. Daí que, na intenção de promover processos educativos para os professores que atuam nas escolas do campo do munícipio de Caicó, sobretudo, no que diz respeito a formação de professores com práticas interdisciplinares e em Direitos Humanos, para que os professores possam ficar atentos aos motivos que promovem a evasão escolar, bem como ações de negligências em que as crianças estejam submetidas, para que possam intervir assegurando a garantia dos seus  direitos, sobretudo, o da educação de modo particular, e aos Direitos Humanos de modo geral.</p>
            <p>A necessidade de formação continuada para os professores e mais ainda os professores do campo é enorme, haja vista que, muitos deles, sequer possuem graduação, embora esteja preconizado no Decreto 7.352/2010 em seu art. 2º os princípios da educação do campo, dentre eles, o que diz respeito a VI - formação inicial e continuada específica de professores que atendam às necessidades de funcionamento da escola do campo (<xref ref-type="bibr" rid="B01">BRASIL, 2010</xref>).</p>
            <p>Dessa maneira, é crucial que a instituição de ensino superior, ainda mais, o curso de Licenciatura em Pedagogia esteja preocupado e ocupado em fomentar a formação inicial e continuada específica para os professores terem condições de colaborar pedagogicamente com as práticas pedagógicas inerentes ao contexto do lugar. Bem como, está posto na Resolução 01/2012 que estabelece as Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos, a qual em seu art. 9º “A Educação em Direitos Humanos deverá estar presente na formação inicial e continuada de todos(as) os(as) profissionais das diferentes áreas do conhecimento” (<xref ref-type="bibr" rid="B03">BRASIL, 2012</xref>).</p>
            <p>Dessa forma, também é crucial que a instituição de ensino superior possa fomentar a formação em direitos humanos, tendo em vista que é um campo transversal e que deve estar presente na formação inicial e continuada nas mais diferentes áreas de conhecimento. Porquanto, legalmente tanto a educação do campo como a educação em Direitos Humanos de modo interdisciplinar devem ser ofertadas nas instituições de ensino superior para que fomentem a formação de professores, sobretudo, os da Pedagogia.</p>
            <p>Sabendo dessa importância, temos por finalidade discorrer sobre nossas ações desde o início da atuação do grupo em 2021 e analisar a obtenção de resultados a partir de nossos objetivos e quais caminhos devemos seguir de agora em diante, sendo que o grupo de pesquisa está em atuação constante e reavaliação de si para melhor desenvolvimento de seu intento, frente aos anseios da coordenadora Professora Doutora Maria aparecida Vieira de Melo e os integrantes que a cada dia contribuem com a continuidade do movimento formativo.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>MOVIMENTAÇÃO DO GRUPO: PROJETOS DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO</title>
            <p>Com foco atual nos projetos de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidos diretamente com o GEPEPF sob mesma coordenação (Professora Doutora Maria Aparecida Vieira de Melo), o grupo se movimenta tendo como base a teoria freireana. Os participantes/componentes do grupo são interestaduais, constituindo o Rio Grande do Norte, Pernambuco e Alagoas. Atualmente, com 16 participantes cadastrados no CNPQ e outros que participam sem vínculo ao mesmo. Entre os membros cadastrados tem-se 4 doutores, 4 mestres, 3 especialistas e 5 graduandos.</p>
            <p>Dentre as ações do grupo, destacam-se a realização semanal de estudos acerca das temáticas que circundam as linhas de pesquisa do grupo e estudos quinzenais com ênfase nas obras de Paulo Freire. Desde 2021, muitas leituras e ações foram realizadas, sendo o livro “Tia Sim, Tia não: cartas a quem ousa ensinar” o foco em 2021 e “Ação Cultural para a Liberdade e outros escritos” em 2022.</p>
            <p>Os estudos vêm sendo realizados em formato híbrido nas terças-feiras na UFRN e em formato virtual, nas quintas-feiras pelo Google Meet, contribuindo com a formação de professores, o grupo atua diretamente com alguns projetos organizados pela coordenadora Maria Aparecida. O projeto de ensino intitulado “Práticas pedagógicas interdisciplinares: a formação docente em Caicó-RN”; o projeto de extensão intitulado “Articulação de ações integradas em educação integral com interface na decolonialidade” e o projeto de pesquisa intitulado “Processos de ensino aprendizagem: descolonizando as práticas pedagógicas”.</p>
            <p>O projeto de ensino teve início em março de 2022 intitulado “Práticas pedagógicas interdisciplinares: a formação docente em Caicó-RN” vem realizando ações como: o estudo das teorias que consubstanciam as categorias procedimentais e categorias: interdisciplinaridade, formação de professores e práticas pedagógicas, através dos encontros do Grupo de Pesquisas da Educação em Paulo Freire; a realização de oficinas pedagógicas acerca do Currículo Intertranscultural na Escola Municipal Severino Paulino de Souza, na Comunidade Rural Barra da Espingarda, Caicó, RN; produções escritas, publicadas e apresentadas: “<bold>Os Direitos Humanos na Formação dos Docentes do Sítio Barra da Espingarda em Caicó-RN</bold>” (apresentação no Enccult, publicação na revista Diversitas), “<bold>Participação discente em eventos acadêmicos: relato de experiência da monitoria do XII Enccult</bold>” (relato de experiência, ebook do XII Enccult) e “<bold>A Busca por um Ensino Interdisciplinar: Importância do Ensino Pesquisa e Extensão na Formação de Professores</bold>” (relato de experiência, EIPE 2022).</p>
            <p>O projeto de extensão intitulado “Articulação de ações integradas em educação integral com interface na decolonialidade” foi criado em março 2022 e sua atuação é conjunta ao ‘Comitê de Educação Integral do RN’ que mantém ações envolvendo várias cidades do estado na implantação de uma educação que visa a integração dos sujeitos em todas as suas dimensões. Em julho de 2022 aconteceu o “<bold>I Seminário do Comitê Territorial de Educação Integral do Seridó</bold>” e em novembro de 2022 foi realizada a “<bold>1° Reunião Presencial do Comitê de Educação Integral – Pólo Caicó</bold>” com a participação de representantes de algumas cidades do estado do RN. O projeto também participa de movimentos de estudo acerca das temáticas específicas a seu interesse no GEPEPF, de eventos com atuação direta e indireta e provê produções escritas apresentadas e publicadas: o resumo expandido sobre a formação de professores em Direitos Humanos para o evento da CONAPE que ocorreu em julho de 2022; o artigo da 19° reunião ampliada no município de São Francisco de Oeste, RN que está em fase de finalização e publicação; e o artigo “<bold>Os direitos humanos na formação de professores dos docentes do Sítio Barra da espingarda em Caicó, RN</bold>” em conjunto com o projeto de ensino e monitoria.</p>
            <p>O projeto de pesquisa iniciado em 2021 “Processos de ensino aprendizagem: descolonizando as práticas pedagógicas” vem desenvolvendo ações em espaços formais e nãos formais sendo: em espaço formal, realização da primeira visita em junho de 2021 na Escola Municipal Severino Paulino Souza, culminando com a realização de oficinas com os professores em base do currículo Intertranscultural. Nesta ação pôde-se concluir que a prática pedagógica da escola, apesar de não ser decolonial, de fato, preocupava-se em trabalhar com a realidade vivida pelos alunos e os sujeitos de seu entorno, proporcionando significado ao ensinar e contribuição com o empoderamento dos sujeitos.</p>
            <p>Em espaço não formal ou não escolar foi realizada visita na Cáritas Diocesano Caicó que culminou na articulação de envolvimento com o projeto da assistência social sobre as relações étnico raciais. A pesquisa proporcionou a percepção de um lindo trabalho desenvolvido pela Cáritas na perspectiva da formação popular e contextualizada, tendo como exemplos o atendimento à população vulnerável, com os clubes das mães; a organização dos trabalhadores e trabalhadoras; as medidas de ajudas emergenciais; os cursos de bordado, corte, costura e ponto crus, voltados para mulheres e jovens; e os projetos na agricultura.</p>
            <p>A instituição possui 7 linhas de atuação, sendo elas: Defesa e garantia dos direitos da pessoa idosa; fortalecimento de redes, fóruns, conselhos e plataformas relevantes; integração com as políticas públicas de assistência social; juventudes; organização das mulheres para o enfrentamento a violência e efetivação de direitos; e protagonismo infanto juvenil para o exercício da cidadania. É gratificante estudar, conhecer bons projetos em sucesso e transformar, unir, uma ação de base pesquisadora, num movimento/momento aprendente de trocas de saberes e reflexões, levando o popular para a academia.</p>
            <p>No ano de 2022, o projeto de pesquisa teve/tem sua continuidade, desta vez, com a visita de base diagnóstica na cidade de São Fernando, RN, na Escola Municipal Pe. Francisco Rafael Fernandes. Sendo esta realizada em outubro, pode-se dialogar com a equipe de professores da escola e fazer a observação de seu espaço e seu modo de atuação pedagógica em eventos, constando que no dia da visita houve a possibilidade de prestigiar um momento cultural e festivo da referida escola com as turmas do ensino fundamental I. Mas, em diálogo com os professores e a gestão, ficou acordado que nossa intervenção se dará em próximas visitas, no ano de 2023, a qual será realizada no ensino fundamental II por necessitar de respaldo acerca de práticas pedagógicas descolonizadoras que quebrem com a habitualidade de um ensino bancário.</p>
            <p>Juntamente ao projeto de pesquisa, tivemos a atuação dos projetos de ensino e de extensão por estes se complementarem, enquanto movimento perpetuador de formação de professores que o GEPEPF vem realizando, sob coordenação de Maria Aparecida. Maria Aparecida costuma envolver os três projetos de modo interdisciplinar e transdisciplinar para uma obtenção de resultados práticos efetivos nas ações do grupo.</p>
            <p>Com a participação dos três projetos identificou-se a necessidade de conceituação acerca da interdisciplinaridade, da educação integral e da decolonialidade no fazer educativo dos professores da escola de São Fernando. Logo, o intento é voltar a escola em março de 2023 e realizar oficinas que integrem as dúvidas e levem sugestões de como trabalhar em conformidade com os direitos fundamentais dos alunos, dos professores, da equipe que compõe a escola e suas famílias, assim como a comunidade local.</p>
            <p>A coordenadora do grupo de pesquisa não dissocia os projetos desenvolvidos do grupo em si, pois é nestes projetos que acontece, de fato, as ações do GEPEPF com participação de diferentes pessoas (membros e não membros do grupo) na construção de um coletivo que se baseia em Paulo Freire e luta por uma educação popular emancipadora.</p>
            <p>O GEPEPF reside na complexidade das relações humanas e, consequentemente, educacionais. Logo, sabendo que existe uma corrente hegemônica, e em contrapartida à contra hegemônica, o grupo visa a abordagem contra hegemônica na perspectiva decolonial. Considerando Walsh, sobre a pedagogia decolonial:</p>
            <p>Pedagogia decolonial é a práxis baseada numa insurgência educativa propositiva portanto, não somente denunciativa em que o termo insurgir representa a criação e a construção de novas condições sociais, políticas, culturais e de pensamento. Em outros termos, a construção de uma noção e visão pedagógica que se projeta muito além dos processos de ensino e de transmissão de saber, que concebe a pedagogia como política cultural (2006, p. 15).</p>
            <p>Ou seja, a luta é por uma formação de professores que atuem com práticas pedagógicas propositivas para que se dê a devida consideração aos aspectos diversos que estão ensejados no campo social, cultural, político e econômico do ser humano em seu processo de humanização. Deste modo, tem-se uma pedagogia que amplia os processos de ensino para além da transmissão de saber de forma unilateral.</p>
            <p>Pensando a interdisciplinaridade, o grupo foca em intervenções formativas associadas a ações pedagógicas interdisciplinares. Logo, é crucial que os estudos e pesquisas se baseiem em formação de professores com a perspectiva de integração dos saberes, tal como está posto por <xref ref-type="bibr" rid="B11">Lenoir (1997, p. 85)</xref> que afirma “a formação para a interdisciplinaridade deve envolver a experiência direta de interdisciplinaridade, que inevitavelmente estar• englobando aspectos do aprender a conhecer, fazer e interagir de um modo interdisciplinar”. Isto significa, portanto, que a formação tanto inicial quanto continuada deve ser interdisciplinar para que as práticas pedagógicas possam ser assim desenvolvidas.</p>
            <p>Já na concepção de uma educação integral pensa-se o sujeito em suas múltiplas dimensões preparando-o para o exercício pleno da cidadania, entendendo as comunidades com suas respectivas significações baseadas em suas experiências locais e vivas. O GEPEPF visa articular ações formativas que fomentem mudanças no ensinar das escolas, “estas experiências poderão dar novos sentidos aos conteúdos clássicos da educação escolar e à própria experiência escolar” (<xref ref-type="bibr" rid="B16">MOLL, 2012</xref>, p. 14). O intuito do grupo é trabalhar a partir de estudos e pesquisas para uma compreensão de mundo que se conecte a imensa rede de informações disseminadas hoje, mais ainda pelas tecnologias, a fim de unir o fazer científico à leitura do mundo e da realidade para a constituição de uma educação do povo, pelo povo e para o povo.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>PARTICIPAÇÃO DO GRUPO EM EVENTOS COM SUAS RESPECTIVAS PRODUÇÕES</title>
            <p> Os integrantes do GEPEPF são constantemente incentivados pela coordenadora a atuarem em eventos voltados as temáticas de interesse do grupo. Seja como participantes passivos ou ativos, preferencialmente a segunda opção. Os membros se envolvem na monitoria, organização de GTs e círculos de cultura e na coordenação destes eventos aos quais estão sempre envolvidos.</p>
            <p>Como diz <xref ref-type="bibr" rid="B07">Freire (1980)</xref> em “Conscientização: teoria e prática da libertação” os movimentos de ação-reflexão existem em conjunto com teoria e prática, sendo estas responsáveis pela conscientização crítica no desenrolar da própria história, ou seja, “[...] implica que os homens assumam o papel de sujeitos que fazem e refazem o mundo” (<xref ref-type="bibr" rid="B07">FREIRE, 1980</xref>, p. 26).</p>
            <p>É com essa concepção de movimentar-se para mudar a realidade estudando, pesquisando, agindo constantemente para um fazer outro possibilitador de aprendizagem e mudança individual e coletiva, partindo do eixo educação com foco no processo formativo do professor atuante, que se traz uma lista de eventos em que o grupo se fez presente desde o segundo semestre de 2021.</p>
            <p>Em julho de 2021 alguns componentes do grupo, participaram do “<bold>Pré-Colóquio Paulo Freire</bold>” em Caicó, RN, assim como do “<bold>Curso Educador do Mundo</bold>” – MST e CPFreire estudos e Pesquisas. Em agosto, o grupo fez-se presente na “<bold>3° Jornada Potiguar de Educação Integrada – Ciclo de Debates com as Licenciaturas</bold>” e no “<bold>Circuito de Diálogos Paulo Freire – SEEC, RN</bold>”. E em setembro esteve no “<bold>XI ENCCULT</bold>”, no “<bold>XI Colóquio Internacional Paulo Freire</bold>” e no Lançamento do livro “Paulo freire: um menino de 100 anos” de Walter Omar Cohan.</p>
            <p>Em outubro de 2021 o GEPEPF participou do evento “<bold>Profissionais da Educação na Luta pelas Veredas de Paulo freire</bold>”; em novembro do “<bold>II encontro de egressxs do PPGECI</bold>”, do “<bold>Café com Paulo Freire – UFAM</bold>”, do “<bold>Café filosófico: o labirinto da complexidade do tributo aos 100 anos de Edgar Morin</bold>”, e da “<bold>Capacitação UFMS</bold>” e em dezembro do mesmo ano participou-se do evento “<bold>Diversidade, criança e adolescente, LGBTQIAPM+: Políticas públicas de inclusão social no ambiente escolar – capacitação UFMS</bold>”, “<bold>Simpósio Internacional Paulo Freire: Memórias, Esperança e Resistência – PUC Goiás</bold>” e também mais quatro eventos contando com apresentação de trabalhos por parte das monitoras de ensino, pesquisa e extensão: o “<bold>II Congresso Mundial de Educação – SESC RJ</bold>” (com apresentação do trabalho publicado em anais, intitulado “<bold>A experiência de uma formação docente numa realidade pandêmica com os usos da tecnologia e seus obstáculos</bold>”), a “<bold>29° Seminário Internacional de Formação de Professores para a América Latina – UNIPAMPA</bold>” (com apresentação de resumo publicado em anais, intitulado “<bold>A formação de professores na perspectiva decolonial”)</bold> e o “<bold>Encontro Integrado dos Programas de Ensino EIPE 2021</bold>” (com a publicação de artigo intitulado “<bold>Relato de experiência enquanto monitoras com respaldo na importância dos programas de ensino para a formação docente</bold>” e por fim no “<bold>Simpósio Internacional Paulo Freire: memórias, esperança e resistência – PUC Goiás</bold>” (com apresentação de resumo elaborado pela bolsista do projeto de ensino, intitulado “<bold>A avaliação na educação do campo sob perspectiva decolonial</bold>”).</p>
            <p>O ano de 2022 iniciou produções por parte do Grupo de pesquisa. A movimentação foi intensa, o grupo de pesquisas se inteirou de organizar ebooks para fomentar o conhecimento e deixar gravadas as reflexões sobre vida e educação. Os ebooks organizados com participação dos integrantes do GEPEPF, foram: “<bold>Memórias da formação profissional: práticas pedagógicas diversas</bold>”, “<bold>Educação e prática pedagógica em Freire: desafios da atualidade</bold>”, “<bold>Educação em direitos humanos e diversidades</bold>”, “<bold>Olhares do/no campo com estudantes pesquisadores</bold>”, “<bold>Paulo Freire e o uso da imagem visual na geografia: perspectivas para o ensino médio</bold>”, “<bold>Paulo Freire e o uso da imagem visual na geografia: perspectivas para a EJA</bold>”, “<bold>Paulo Freire e o uso da imagem visual na geografia: diversas perspectivas</bold>”, “<bold>Paulo Freire e o uso da imagem visual na geografia</bold>”, “<bold>Autobiografando-se com Paulo Freire</bold>”, “<bold>100 anos de Paulo Freire... da leitura de mundo a emancipação dos povos – vol. 1 e 2</bold>” e “<bold>A diversidade dos direitos humanos no contexto educacional</bold>”.</p>
            <p>Em 2022, além da intensa movimentação com a escrita, correção e organização de ebooks em coletividade com parcerias outras, houve a participação ativa em vários eventos, contando com apresentações de trabalhos, atuação com monitorias e em outros aspectos organizacionais, como na mediação e coordenação de GTs e círculos de culturas, são eles:  “<bold>I Seminário do Comitê Territorial de Educação Integral do Seridó</bold>” em julho, com atuação direta da coordenadora do GEPEPF e seus integrantes; “<bold>19° Reunião Ampliada no município de São Francisco do Oeste”</bold>, RN, que culminou na escrita de um artigo; em setembro de 2022, foi registrada presença no “<bold>I Encontro Regional da Rede Brasileira de Educação em Direitos Humanos – REBEDH- NE 1: Ceará, Paraíba, Piauí, Maranhão e Rio Grande do Norte</bold>” que culminou com apresentação de resumo; “<bold>I Encontro Regional de Educação em Direitos Humanos – Nordeste (BA, PE, SE, AL)</bold>” e o “<bold>III Fórum Baiano de  Educação Direitos Humanos</bold>”; “<bold>XII Encontro Científico Cultural - ENCCULT 2022</bold>” que teve apresentação de trabalhos de algumas integrantes do GEPEPF e culminou em artigo selecionado para publicação em revista. Neste evento “<bold>XII Encontro Científico Cultural - ENCCULT 2022</bold>” o grupo de pesquisa esteve fortemente envolvido com o GT 10 intitulado “<bold>A diversidade dos direitos humanos no contexto educacional</bold>” sob coordenação de Aparecida Melo.</p>
            <p>Em outubro de 2022, o grupo esteve em alguns eventos importantes: o “<bold>Seminário Comemorativo dos 10 Anos do PPGDH - Direitos Humanos, Democracia e Resistência no Contexto Brasileiro</bold>” que foi realizado pelo Programa de Pós-graduação em Direitos Humanos da UFPE e teve como apoio o Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Direitos Humanos/UFG que culminou com apresentação de trabalho da Professora Coordenadora Maria Aparecida Vieira de Melo, intitulado “<bold>Produção Acadêmica no PPGDH/UFPE DE 2016 a 2021: O que os dados Revelam?</bold>” no GT 2 - Educação, Diversidade Sociocultural e Direitos Humanos;</p>
            <p>Em novembro de 2022 participaram dos eventos: o “<bold>1° encontro da Série II: Diálogos com Paulo Freire: Desigualdade Social</bold>” realizado pelo CPFreire-Estudos e Pesquisas (estando a coordenação do GEPEPF nesta atividade sob atuação de Maria Aparecida), os encontros aconteceram nas quintas feiras de novembro de 2022 das 19 horas às 21 horas, sendo um total de 4 encontros com discursões pertinentes acerca da formação de professores para uma educação transformadora; a “<bold>1ª  Reunião Presencial Pós Pandemia do Comitê Territorial de Educação Integral - Polo Caicó</bold>” (atuando diretamente na organização) no auditório do Centro Administrativo da Prefeitura Municipal de Caicó, com o objetivo de apresentar o comitê, fortalecer as ações do polo e propor a construção do Plano Seridoense de Educação Integral. Teve como público-alvo os diversos atores da educação, dentre eles os secretários municipais de educação, dirigentes de regionais, professores, coordenadores, artistas e todos aqueles e aquelas que acreditam na força da educação integral em solo seridoense, atingindo cerca de 50 representantes de cidades do estado do RN.</p>
            <p>Ainda em novembro de 2022 participou-se do evento intitulado “<bold>III Primavera Feminista do Sertão do Seridó</bold>” no Anfiteatro do Ceres/UFRN em Caicó com o apoio da Pró-Reitoria de Extensão e do Centro de Ensino Superior do Seridó. Com o tema "<bold>Políticas públicas e feminismos: estratégias para o enfrentamento das violências contra as mulheres</bold>” houve a retomada do evento após dois anos de pandemia com a participação da coordenadora do GEPEPF, Maria Aparecida Melo na criação e apresentação de cordel acerca das falas apresentadas durante a primeira hora do evento.</p>
            <p>Também houve a participação no evento híbidro “<bold>1° Seminário Nacional de Educação Integral</bold>”, que aconteceu em Diadema São Paulo e tivemos alguns representantes de modo presencial e outros de modo virtual; no “<bold>EIPE - Encontro Integrado dos Programas de Ensino da UFRN 2022</bold>” com apresentação de trabalho intitulado “<bold>A Busca por um Ensino Interdisciplinar: Importância do Ensino, Pesquisa e Extensão na Formação de Professores</bold>”; no "<bold>VI Fórum de Leituras de Paulo Freire da Região Norte</bold>" com apresentação de trabalhos intitulados “<bold>Educação Do Campo: A Posição Dos Sujeitos</bold>” e “<bold>Processos de ensino-aprendizagem: descolonizando as práticas pedagógicas</bold>”; e participação efetiva no evento "<bold>XIX Seminário Multidisciplinar: EJA – Educação de Jovens e Adultos</bold>" com representação por parte do Professor Doutor Ricardo Santos de Almeida, o evento teve como tema: "<bold>Formação de professores para o ensino médio - desafios para a implantação da nova Base Nacional Comum Curricular</bold>".</p>
            <p>Finalizando 2022, o GEPEPF oficializou um evento na Universidade Federal do RN, CERES, Caicó intitulado “<bold>I Seminário de Práticas Pedagógicas Interdisciplinares: os ganhos e desafios da formação interdisciplinar de educadores</bold>” com apresentação dos trabalhos produzidos no 2° semestre de 2022 pelos projetos de ensino, pesquisa e extensão que já foram citados anteriormente neste artigo. Junto a este feito de âmbito formativo em constância alguns trabalhos foram publicados. Ebooks produzidos, escritos e organizados pelo coletivo teve o “<bold>Movimentos dialéticos da educação do campo: teorias, práticas e reflexões</bold>”; o “<bold>Paulo Freire, Memória, Esperança e Resistência</bold>” (com capítulo específico escrito pelo GEPEPF intitulado “<bold>A Avaliação na Educação do Campo Contra Hegemônica</bold>" e o “<bold>Educação e Mudança Social: o legado de Paulo Freire</bold>” com apresentação do primeiro capítulo escrito pela coordenadora Maria Melo, intitulado “<bold>Esperança, Diálogo e Amorosidade no Pensamento Freireano</bold>”. Também temos o artigo “<bold>Escolarização versus Educação Popular</bold>” na editoração para ser publicado brevemente na revista “Saberes: educação e filosofia”.</p>
            <p>Estar nesse movimento de eventos voltados para as temáticas educacionais freirianas, integradoras, interdisciplinares e descoloniais, proporciona a formação contínua dos educadores que são pesquisadores em constante busca por aprendizagem e reflexões/refazer permanente de seu fazer pedagógico. Entende-se que possibilitar ações que culminem com a formação de professores mediadores de práticas pedagógicas interdisciplinares e voltadas para os direitos de todos garantidos em lei, articule a movimentação de um processo educativo humanizador, libertador e democrático.</p>
            <p>Finda por contribuir politicamente, em trilhas de linguagem epistemológica com composições que se ocupam do viver e fazer educativo social. O grupo e sua trajetória garantem visibilidade aos textos, a sua relação com as ciências e convicções no campo da leitura, escrita e pesquisa, refletindo politicamente o movimento popular. Construindo aprendizagens, diálogos e renovando esperanças, com colegas, com estudantes, com pessoas, com o mundo. </p>
        </sec>
        <sec>
            <title>OUTRAS AÇÕES DO GEPEPF: MOVIMENTO DE LEITURAS E REFLEXÕES</title>
            <p>É no cenário formativo e de produção do conhecimento em Educação que este trabalho relata seus feitos e analisa seus resultados na medida em que os sujeitos do processo auto formativo são graduandos, mestrandos, doutores e professores e em geral estando em contexto de formação continuada. A seguir explicitar-se-á as leituras e suas contribuições na construção de processos que proporcionem o reconhecimento identitário dos professores do GEPEPF e de seus consequentes alcances a outros sujeitos.</p>
            <p>Em 2021, o grupo se reunia quinzenalmente em formato virtual para estudar o livro “Professora, sim; tia, não – cartas a quem ousa ensinar”, que proporcionou diversas reflexões, sobretudo, ao que dizem respeito ao modo de ser e estar do professor que vive o movimento do ensinar e aprender.</p>
            <p>Em 2022, o grupo teve o movimento de leitura expandido, passando a contar com dois blocos de estudos. Um acontecendo quinzenalmente com a utilização de uma obra única de Freire durante o ano. A obra selecionada neste ano foi “Ação Cultural para a Liberdade e Outros Escritos” sendo dividido em tópicos e a cada encontro um componente do grupo ficava responsável pela mediação e todos realizavam a ação dialógica reflexiva. A finalização dos estudos da obra aconteceu em dezembro de 2022 com o resumo por parte da coordenadora Maria Aparecida Vieira de Melo.</p>
            <p>Um acontecendo de modo presencial na UFRN, CERES, Caicó, que por fim, realizou-se em formato híbidro tendo em vista as complicações de covid-19 e a articulação dos integrantes que não podiam estar presencialmente em alguns momentos. Nesses encontros híbridos semanais, as leituras eram escolhidas semanalmente de acordo com os interesses de seus componentes e baseado nas temáticas de estudo do grupo.</p>
            <p>Entre os títulos estudados, que eram recortes de livros, ou artigos, destaca-se: o texto “Interdisciplinaridade na formação de professores: um olhar a partir dos movimentos de produção científica” de <xref ref-type="bibr" rid="B13">Aline Souza da Luz e Maria das Graça C. da S. M. Gonçalves Pinto</xref>, que trouxe uma contextualização acerca dos seguintes tópicos.</p>
            <list list-type="bullet">
                <list-item>
                    <p>O texto faz um estudo com base em uma metanálise de como a interdisciplinaridade se relaciona com a formação de professores;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Nem todas as pessoas dominam a interdisciplinaridade e, tantas vezes, não conseguem aplicá-la na prática;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Não se faz a interdisciplinaridade sozinho(a);</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Não há, no artigo, um conceito de interdisciplinaridade, mas sim uma pontuação da quantidade de pesquisas que existem sobre esse tema;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Como vou trabalhar a interdisciplinaridade se não fui formado nesta perspectiva?</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Há uma crítica em um currículo fragmentado que ainda persiste;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Antes a interdisciplinaridade era um princípio metodológico, conteúdo, hoje ela faz parte da formação de professores.</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Foi importantíssimo trazer essa discussão para se pensar a prática educativa em suas outras possibilidades/necessidades, na verdade, bem urgentes. Também destaca-se o texto (um recorte) do livro “Pedagogia Decolonial e Didática Antirracista” (<xref ref-type="bibr" rid="B04">Vera Maria Candau</xref>)” com diálogo e várias reflexões sobre os seguintes tópicos, acerca de uma Educação antirracista:</p>
            <list list-type="bullet">
                <list-item>
                    <p>Formação de Professores para a descolonialidade;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Lugar de Ensino;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Referencias tradicional - conteúdos postos possibilidades de uma didática antirracista;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Conhecer Leis; e colocar em prática;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Fundamentação de onde fica a cultura na escola;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Novas perspectivas na formação dos currículos;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Sujeitos "coisificados”, sem significação, sem conhecimentos de suas histórias de sua cultura.</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Pensar uma educação decolonial e deste mote ações que descolonizem o fazer educativo atual nas escolas e instituições foi a grande lição, ou o resultado desta leitura. Outro texto estudado durante o ano foi: "A Educação do Campo na Trilha dos Direitos Humanos em sua Formação Identitária e Cultural". O texto tem como autora Maria Aparecida Vieira de Melo, professora coordenadora do GEPEPF e aborda sobre as práticas pedagógicas oriundas da comunidade quilombola a fim do reconhecimento da formação identitária dos descendentes Quilombolas. Um excelente estudo com a oportunidade de entrevista direto com o autor e possibilitando a valorização do Grupo de Pesquisa quanto a utilização de textos autorais próprios de seus integrantes.</p>
            <p>O texto acarretou a reflexão de tais pontos:</p>
            <list list-type="bullet">
                <list-item>
                    <p>Formação dos direitos humanos para o desenvolvimento de seres ativos;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Direitos Humanos Naturais;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Direitos Humanos Universais;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Humanismo no centro da construção dos direitos humanos;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Formação Humana;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Minorias e suas significações;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Sujeitos marginalizados;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Choque de cultura;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Aculturamento;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Cultura híbidra;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Povo e massa;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Estratégias de resistência;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Apagamento da história;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Construção da identidade;</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>As rodas de conversa, buscam, de forma mais específica, identificar a percepção dos educadores sobre uma pedagogia popular que contribua com os diferentes atores que integram a comunidade escolar. Partindo da perspectiva de que o professor é a figura que efetiva o papel intransferível na formação dos indivíduos, pois suas práticas pedagógicas no dia a dia tem o poder de edificar o conhecimento em uma perspectiva crítico-reflexiva sobre a realidade social e cultural que o cerca. Sendo fundamental a harmonia entre a teoria e as práticas pedagógicas, assim como o compromisso contínuo com o trabalho docente.</p>
            <p>A participação no grupo de pesquisa favorece o desenvolvimento do professor em seu processo formativo enquanto pesquisador em continuidade de estudo e aprendizagem. Ser professor, assim como ser humano é um processo inacabado, nunca estamos com o saber finalizado e pronto para repasse, até porque os tempos mudam, as novas gerações exigem que o docente se adeque, se atualize e acompanhe as mudanças para um fazer educativo efetivo em seu intento. A participação em grupos de estudos e pesquisas possibilitam ao professor refletir e escrever acerca de suas reflexões em base de sua prática pedagógica.</p>
            <p>O coletivo de professores e professoras participantes do supracitado grupo, testemunham que os estudos e pesquisas realizados ao longo dessa experiência têm favorecido para o exercício da leitura, escrita e intervenção no contexto de trabalho. Em sendo assim, as atividades desenvolvidas permeiam o conhecimento aos participantes de modo a eles vivenciarem a práxis pedagógica no chão da escola, se constituindo como um processo auto formativo que corrobora para atuações mais assertivas em seu cotidiano escolar, ou seja, os estudos e pesquisas promovem melhor intervenção na realidade em que os sujeitos estão inseridos, para que eles possam ser protagonistas das mudanças educacionais que desejam, sobretudo, em sua comunidade local.</p>
            <p>Nesse sentido, os estudos realizados e descritos neste artigo favorecem o conhecer da percepção de quem experiencia as diversidades e as alegrias da presença em ambientes de ensino, seja em sala de aula ou em um espaço não escolar, contribuindo para pensar novos caminhos que se desenvolvam mais democraticamente, durante o exercício da escuta e reflexão. Uma educação para os Direitos Humanos fundamentais ao viver das pessoas em cotidiana sociedade, procurando respeitar a dignidade da vida, de sua relação com o meio ambiente e aproximar da busca por um viver solidário e pacífico.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>CONCLUSÃO</title>
            <p>As descrição das ações de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas em conjunto, como pertencente e/ou integrante ao grupo de pesquisa GEPEPF definem-se contributivas para a formação de professores interdisciplinarmente em prol dos Direitos Humanos por trazer um aparato de resultados comprobatórios da eficiência que um professor, identificando-se enquanto pesquisador, pode facilitar a busca ativa por práticas pedagógicas lúdicas, inovadoras, populares, próximas a realidade, consubstanciada dos sujeitos envoltos no processo de ensinar e aprender, se relacionar e construir o saber.</p>
            <p>Com base em reflexão biográfica concedente na formabilidade do ser sujeito e do ser professor, deslinda em projeto aqui exposto, os pressupostos da pesquisa (auto)biográfica na intervenção que se realiza partindo de base teórica educacional freireana, ampara o importante papel de ações congregadas aos três pilares de base universitária: ensino, pesquisa e extensão. Notoriamente, essa integração em projetos, leituras, estudos, pesquisas e ações diversas (participação em eventos, participação em momentos de estudo e reflexão, escrita acadêmica e poética para publicações em revistas, eventos e anais) propõem um novo modo formativo do fazer educador.</p>
            <p> As inúmeras realizações destacadas em títulos e em números, são provocativas de um movimento diferenciado, inspirador e motivador, trabalhando com a realidade na construção de utopias que valorizam a leitura e a escrita fora e dentro sala de aula, priorizando experiências de vida, relações humanas aprendentes que culminam em diálogos construtores de conhecimento comunitário.</p>
            <p>Ou seja, a autobiografia do GEPEPF permite enxergar com clareza que o processo formativo do professor precisa passar pelo reconhecimento identitário de educador e pesquisador. Somente ações em constante desencaixe podem de fato reorganizar o pensar na ação educativa pedagógica. Não se entende professor pesquisador no simples ato de repor seu conhecimento teórico através de aulas depositárias de informações que, por fim, não se conectam, e se tornam sem significado.</p>
            <p>É preciso fazer mais, se ver na construção do saber, escrever sobre o que leu e aprendeu e também sobre suas dúvidas. Organizar eventos e ebooks para sentir-se intelectual ao passo que se considera individualmente professor, mas, com o diferencial de ver outro mundo além do campo escolar cotidiano. O contato com a ação, criação, organização, reflexão é facilitador de mudanças sociais, pois ajuda a incluir o professor em ato político e o entender em importância e com substância de valor.</p>
            <p>Os espaços dialógicos de escuta e fala, firmados nos encontros com o Grupo de Estudos e Pesquisas da Educação em Paulo Freire, funcionam como instigante na ascensão e retomada de posicionamentos políticos, impossibilitados de existir no campo da neutralidade.</p>
            <p>O GEPEPF vem por meio deste escrito se analisar e perceber que é urgente instaurar outra realidade, outra dinâmica no trabalhar das propostas curriculares em espaços escolares e não escolares. Rompendo com uma prática conteudista, com temas pré-determinados, e focado em modelos antidemocráticos.</p>
            <p>Os exemplos positivos da Cáritas de Caicó com uma educação popular e humanizadora em ambientes não escolares, transforma/ressignifica, de modo verdadeiro e autêntico, a realidade compassiva de muitos ambientes escolares espalhados pelo mundo. Em busca de superação dos sistemas de dominação a muito implantados e amplamente disseminados, assim como o autoritarismo, o conservadorismo e o determinismo desenfreado. Fica posto que é possível mudar a realidade desumana do sistema capitalista e é viável lidar com a complexidade das pessoas e contribuir com sua formação e melhoramento continuado.</p>
            <p>Nesse mote, luta-se por educações populares, pois elas acontecem nos mais variados contextos, como associações, movimentos sociais, organizações não governamentais, igrejas, assentamentos, praças públicas, centros de referência de assistência social e outros. Uma educação integral que visa a integração de todas as pessoas e todas as oportunidades, realidades, ambientes, o desenvolvimento do aluno, do sujeito em todas as suas dimensões e não separa nada, pois tudo está conectado e integrado ao viver.</p>
            <p>A interdisciplinaridade em sua interculturalidade nas práticas pedagógicas escolares indígenas, quilombolas, camponesas como operantes de giros significativos no fomento a uma formação embasada na construção de consciência crítica do sujeito continuamente em formação, e no exercício de sua cidadania. Apresentando a formação de professores que valorizem e se prontifiquem a edificar os direitos de cada aluno, simplesmente por ele existir e ter direito a conquistas diversas e plurais.</p>
            <p>Defende-se uma pedagogia decolonial acionada no campo de forma holística que conecte-se com outras pedagogias, favoráveis ao oprimido, inquietantes em movimento, pedagogia da terra, pedagogia socialista, pedagogia social, pedagogia intercultural, pedagogia da alternância e outras pedagogias para que possa-se dar ênfase aos outros sujeitos, que historicamente ficaram à margem da produção do conhecimento.</p>
            <p>Por isso que propõe-se fazer estas aproximações epistêmicas, dando ênfase a pedagogia decolonial, que propõe a objetivação e a desconstrução do mito da estrutura opressora como estratégia para que o educando possa questionar temas e aspectos da realidade antes tidos como dados, superando assim sua visão fatalista do mundo.</p>
            <p>Mas, é bom salientar que este giro pelos empreendimentos grupais remete também, a ver-se como coletivo em formação, onde cada integrante tem seu ritmo e seu modo de desenvolvimento próprio. Estar em conjunto favorece a união que desencadeia conquistas individuais e coletivas, estando todas no âmbito grupal por fim, pois é na solidariedade atribuída de cada um para cada outro, que se dá o crescimento epistemológico e formativo dos integrantes enquanto pedagogos e professores, que procuram atuar em seus atos pedagógicos envoltos na interdisciplinaridade alocada para os Direitos Humanos intrínsecos no viver social humano.</p>
            <p>Então, de acordo com tudo o que foi dito (descrito neste artigo) o GEPEPF pode se perguntar acerca do ano vindouro. Estando numa constante ação do refazer educacional, as reflexões do próprio grupo com e para si,  remete um questionamento interessante na inquietude que se busca 2023: Como, através de base processual formativa, desconstruir as estruturas da produção do conhecimento por meio das educações populares, através do movimento de estudo, escrita, reflexão e produção de engajamento coletivo na união dos projetos de ensino, pesquisa e extensão, considerando outros aspectos do grupo que tem um alcance ainda mais esparramado pelo contexto local?</p>
            <p>A resposta pode vir em um próximo trabalho autobiográfico mais adiante. De forma ativa e artista do fazer em coletivo, destacamos por fim, que em tudo o que foi posto existe literatura. Respeitando a autonomia e à dignidade de cada um, o grupo ainda se ocupa de apresentar seus cordéis produzidos em eventos e nos mesmos apresentados. Transgredir da formalidade para a informalidade na obtenção de amar pelo atuar na educação e no meio social com responsabilidade, mas, também em busca de felicidade, prazer no ato de ler e de aprender, estando esse valorado no cotidiano das pessoas desde o nascer.</p>
            <p>Esperançando um novo cenário político, almeja-se um avançar com portas que venham a se abrir, possibilitando um “respiro”, em tempos de tantos cortes e bloqueios institucionais escolares e populacionais sociais. Que as ideias, os sonhos, as conquistas alcancem as instituições escolares em 2023, oportunizando mais movimentação, mais recursos para projetos e bolsas estudantis que abarquem as diversidades e pluralidades existentes no Brasil, estando o GEPEPF nesse círculo de oportunidades, de gente e de vidas.</p>
        </sec>
    </body>
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            <title>REFERÊNCIAS</title>
            <ref id="B01">

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                    <person-group person-group-type="author">
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                    <article-title>Decreto nº 7.352, de 4 de novembro de 2010</article-title>
                    <source>Dispõe sobre a política de educação do campo e o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária – PRONERA</source>
                    <publisher-loc>Brasília</publisher-loc>
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                    <comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://portal.mec.gov.br/docman/marco-2012-pdf/10199-8-decreto-7352-de4-de-novembro-de-2010/file">http://portal.mec.gov.br/docman/marco-2012-pdf/10199-8-decreto-7352-de4-de-novembro-de-2010/file</ext-link>&gt;</comment>
                    <date-in-citation content-type="access-date">17 de dez 2022</date-in-citation>
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                    <article-title>Lei nº 8.069 de 13 de Jul de 1990</article-title>
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                    <comment>Subseção IV</comment>
                    <comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10611702/artigo-53-da-lei-n-8069-de-13-de-julho-de-1990">https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10611702/artigo-53-da-lei-n-8069-de-13-de-julho-de-1990</ext-link>&gt;</comment>
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