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                <journal-title>Revista Direito Público</journal-title>
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            <issn pub-type="epub">2236-1766</issn>
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                <publisher-name>Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa</publisher-name>
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            <article-id pub-id-type="doi">10.11117/rdp.v21i110.6915</article-id>
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                    <subject>ARTIGOS ORIGINAIS</subject>
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                <article-title>CRIME E VULNERABILIDADE SOCIAL: IMPACTOS DO ENSINO JURÍDICO BRASILEIRO NA FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS COM ATUAÇÃO NA ÁREA CRIMINAL1</article-title>
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                    <trans-title>CRIME AND SOCIAL VULNERABILITY: IMPACTS OF BRAZILIAN LEGAL EDUCATION ON THE FORMATION OF PROFESSIONALS WORKING IN THE CRIMINAL AREA</trans-title>
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                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-0379-913X</contrib-id>
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                        <surname>VENTURA</surname>
                        <given-names>CARLA APARECIDA ARENA</given-names>
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                    <bio>
                        <p>E-mail: <email>caaventu@eerp.usp.br</email></p>
                        <p>Professora Titular da Universidade de São Paulo, Diretora do Centro Colaborador da OPAS/OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem e Vice-Coordenadora do Pólo de Ribeirão Preto do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo. Desde 2018, é Professor Adjunto Internacional do John Dossetor Health Ethics Centre da University of Alberta, Canadá.</p>
                    </bio>
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                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-1759-6870</contrib-id>
                    <name>
                        <surname>BONATO</surname>
                        <given-names>PATRÍCIA DE PAULA QUEIROZ</given-names>
                    </name>
                    <bio>
                        <p>E-mail: <email>patricia.bonato@prisonsystems.eu</email></p>
                        <p>Doutora em Ciências pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto- EERP/USP e em Saúde Internacional pelo Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa (Dupla titulação). Mestra em Direito e Desenvolvimento pela Universidade de São Paulo- FDRP/USP. Atualmente, atua como Pesquisadora Sênior e Coordenadora de Projetos no Portfólio de Design Organizacional e Transformação Digital na Innovative Prison Systems (IPS), em Portugal.</p>
                    </bio>
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                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-6846-7967</contrib-id>
                    <name>
                        <surname>REIS</surname>
                        <given-names>LEONARDO NAVES DOS</given-names>
                    </name>
                    <bio>
                        <p>E-mail: <email>lnreis@uea.edu.br</email></p>
                        <p>Bacharel em Enfermagem pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da Universidade de São Paulo (USP). Doutor e mestre pelo Programa de pós-graduação do Departamento de Enfermagem Psiquiátrica e Ciências Humanas da EERP-USP. Docente da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESA) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) atuando no ensino de graduação, nos cursos de Enfermagem, Odontologia e Medicina, ministrando disciplinas em saúde coletiva, epidemiologia e bioestatística.</p>
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                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-8800-7498</contrib-id>
                    <name>
                        <surname>FERNANDES</surname>
                        <given-names>RAQUEL HELENA HERNANDEZ</given-names>
                    </name>
                    <bio>
                        <p>E-mail: <email>raquelhhfernandes@usp.br</email></p>
                        <p>Doutora em Ciências pelo programa de pós-graduação em Enfermagem Psiquiátrica da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (EERP/USP). É advogada e pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Enfermagem, Saúde Global, Direito e Desenvolvimento (GEPESADES).</p>
                    </bio>
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                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-1175-6634</contrib-id>
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                        <surname>CARRARA</surname>
                        <given-names>BRUNA SORDI</given-names>
                    </name>
                    <bio>
                        <p>E-mail: <email>bsordi.c@usp.br</email></p>
                        <p>Doutora em Ciências pelo programa de Enfermagem Psiquiátrica da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP-USP). Mestre em Ciências pelo programa de Enfermagem Psiquiátrica da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP-USP). Graduada em Psicologia pelo Centro Universitário de Franca Uni-FACEF (2013). Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Enfermagem, Saúde Global, Direito e Desenvolvimento (GEPESADES).</p>
                    </bio>
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                </contrib>
                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-0137-0471</contrib-id>
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                        <surname>OLIVEIRA</surname>
                        <given-names>RICARDO GONÇALVES VAZ DE</given-names>
                    </name>
                    <bio>
                        <p>E-mail: <email>ricardo.gvdeoliveira@usp.br</email></p>
                        <p>Doutor em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem Psiquiátrica da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Especialista em docência no ensino superior (2013). possui graduação em Direito pelo Instituto Municipal Matonense de Ensino Superior (2012). Atualmente é escrivão de polícia chefe da Delegacia de Investigações Gerais de Sertãozinho (Setor responsável pelas investigações de homicídios).</p>
                    </bio>
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                <label>II</label>
                <institution content-type="orgname">Innovative Prison Systems</institution>
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                <country country="PT">Portugal</country>
                <institution content-type="original">Innovative Prison Systems (IPS). Lisboa. Portugal</institution>
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                <label>III</label>
                <institution content-type="orgname">Universidade do Estado do Amazonas</institution>
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                    <named-content content-type="city">Manaus</named-content>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution Non-Commercial</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que sem fins comerciais e que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
                </license>
            </permissions>
            <abstract>
                <title>RESUMO</title>
                <p>Trata-se de estudo descritivo transversal, com abordagem de dados qualitativa, cujo objetivo foi compreender a percepção de profissionais que atuam na justiça criminal sobre o enfoque atribuído à vulnerabilidade social no ensino jurídico. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com profissionais que atuam na justiça criminal (policiais civis e militares), juízes, promotores de justiça e defensores públicos. A análise de conteúdo das entrevistas permitiu identificar duas categorias temáticas, sendo elas “Percepções dos profissionais da justiça criminal sobre sua atuação em relação às situações de vulnerabilidade social” e “Da formação jurídica no Brasil: estágio atual e possibilidades de evolução”. Os profissionais da justiça criminal têm consciência da realidade de vulnerabilidade social e dos contextos de vida das pessoas criminalizadas que estão nessa situação, mas reconhecem que a formação em direito está apartada da realidade social do país, assentando-se no dogmatismo da lei e com isso criando um abismo entre teoria e prática profissional, razões pelas quais o ensino jurídico deve ser reestruturado.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>ABSTRACT</title>
                <p>This is a cross-sectional descriptive study, with a qualitative data approach, whose objective was to understand the perception of professionals working in criminal justice about the focus attributed to social vulnerability in legal education. Semi-structured interviews were conducted with professionals working in criminal justice (police (civil and military), judges, prosecutors and public defenders. The content analysis of the interviews allowed to identify two thematic categories, namely "Perceptions of criminal justice professionals about their performance in relation to situations of social vulnerability" and "Of legal training in Brazil: current stage and possibilities for evolution". Criminal justice professionals are aware of the reality of social vulnerability and the life contexts of criminalized people who are in this situation, but they recognize that training in law is separated from the social reality of the country, based on the dogmatism of the law and with that creating a chasm between theory and professional practice, reasons why legal education must be restructured.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>PALAVRAS-CHAVE</title>
                <kwd>justiça criminal brasileira</kwd>
                <kwd>vulnerabilidade social</kwd>
                <kwd>ensino jurídico</kwd>
                <kwd>formação jurídica</kwd>
                <kwd>impactos</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>KEYWORDS</title>
                <kwd>Brazilian criminal justice</kwd>
                <kwd>social vulnerability</kwd>
                <kwd>legal education</kwd>
                <kwd>legal formation</kwd>
                <kwd>impacts</kwd>
            </kwd-group>
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    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>INTRODUÇÃO</title>
            <p>Desde 1996, com a entrada em vigor da terceira e última Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei n. 9.394/96, atualizada pela Lei 12.061/09, o ensino superior brasileiro foi regulamentado com o objetivo de ofertar aos bacharéis de todo o país uma formação superior equitativa e qualificada<xref ref-type="fn" rid="fn08">8</xref>.</p>
            <p>Desde então, de 1996 a 2019, o número de instituições de ensino superior (IES) passou de 922 para 2.608 no país. Do total de estabelecimentos deste gênero no país, 88,4% são privados e 7,6% são universidades (<xref ref-type="bibr" rid="B22">INEP, 2019</xref>).Semelhante comportamento de crescimento também foi observado no ensino jurídico, pois entre 1995 e 2018 o número de cursos de graduação em direito passou de 235 para 102.927, de acordo com a 38ª edição “Exame de Ordem em Números”, tendo um aumento de 644.230 inscritos nos últimos 5 anos um estudo realizado a partir da parceria firmada entre Fundação Getúlio Vargas (FGV) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que acompanha o desempenho das instituições e dos bacharéis no exame unificado da ordem (<xref ref-type="bibr" rid="B18">FGV, 2024</xref>).</p>
            <p>No Brasil, os primeiros cursos de ciências jurídicas foram formalmente criados, em Olinda e São Paulo, em 11 de agosto de 1827 (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Schwarcz, 1993</xref>), por  mas apenas em 1961 foi idealizado o primeiro currículo mínimo da graduação no curso, após a aprovação da primeira LDB (<xref ref-type="bibr" rid="B18">FGV, 2020</xref>). Anos mais tarde, em 1972, o Ministério da Educação e Cultura instituiu um novo currículo mínimo, a partir da Resolução CFE nº 3/72, que passou a contar com a obrigatoriedade do estágio supervisionado e com a previsão de disciplinas básicas e eletivas (optativas).</p>
            <p>A promulgação da Constituição Federal de 1988, não por acaso denominada de “cidadã” ao prever expressamente um extenso rol de direitos fundamentais no ordenamento jurídico, impactou significativamente no ensino jurídico no Brasil, que necessitava ser ofertado de modo mais consentâneo com a realidade do país. Assim, em 1998, foram instituídas as “Diretrizes Curriculares e o Conteúdo Mínimo do Curso Jurídico” e, desde então, as discussões sobre o conteúdo mínimo exigido para uma formação jurídica de qualidade e eficiente às vicissitudes da sociedade brasileira têm sido recorrentes no cenário nacional.</p>
            <p>Isso ocorre devido especialmente à realidade de oferta massiva de ensino precário que as avaliações do MEC e da OAB têm escancarado: no ano de 2018, dos 1.502 cursos jurídicos no país, apenas 161 receberam o “Selo OAB Recomenda”, uma certificação que a OAB Federal confere a instituições com desempenho satisfatório no exame da ordem (<xref ref-type="bibr" rid="B18">FGV, 2020</xref>).</p>
            <p>Contudo, é na seara da justiça criminal que reside o que possivelmente seja o maior gargalo do ensino técnico-burocrático e de baixa qualidade ofertado no país. A atuação de muitos profissionais da justiça criminal se revela, na prática forense, dissociada da realidade de vulnerabilidade social e opera produzindo índices alarmantes de prisão preventiva e de naturalização da seletividade penal<xref ref-type="fn" rid="fn09">9</xref> até os dias atuais, ignorando por completo a premissa de que o controle social pode ser exercido por outras instâncias que não apenas a da justiça penal (<xref ref-type="bibr" rid="B41">Wacquant, 2001</xref>).</p>
            <p>A seletividade de pessoas em situação de alta vulnerabilidade social resulta na criminalização majoritária de homens e mulheres com o mesmo perfil sociodemográfico: jovens, negros, de classes sociais muito baixas e com pouca escolaridade<xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref>. O Brasil, sempre indispensável pontuar, apresenta o 3º maior contingente de pessoas presas do mundo: há pelo menos 755 mil pessoas presas no sistema e um déficit de 312.925 vagas (<xref ref-type="bibr" rid="B08">Brasil, 2019</xref>).</p>
            <p>Ademais, em 16 anos (de 2000 a 2016), a taxa de aprisionamento de mulheres com esse perfil aumentou 455% no país (<xref ref-type="bibr" rid="B09">Brasil, 2017b</xref>). Muitas destas prisões foram realizadas preventivamente, o que ilustra cenário de apelo ao sistema penal como forma de controle social no país.</p>
            <p>No ano de 2021, oMEC  aprovou o primeiro ensino de graduação em direito integralmente a distância , a ser implementado pelo Complexo de Ensino Renato Saraiva (CERS) (<xref ref-type="bibr" rid="B11">BRASIL, 2021</xref>). Embora recentemente a Portaria MEC nº 528, de 6 de junho de 2024, do Ministério da Educação tenha suspendido até 10 de março de 2025 a criação de novos cursos de graduação, vagas e polos de ensino a distância (EAD), a discussão em torno da qualidade do ensino jurídico com vistas à formação humanizada e crítica é importante.</p>
            <p>Nesse sentido, o objetivo do presente trabalho, de natureza descritiva transversal, é compreender a percepção de profissionais que atuam na justiça criminal sobre o enfoque atribuído à vulnerabilidade social no ensino jurídico. Para tanto, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com profissionais que atuam na justiça criminal em sete estados brasileiros, cuja análise de conteúdo permitiu identificar suas experiências com a vulnerabilidade social.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="methods">
            <title>2. CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS</title>
            <p>Trata-se de pesquisa descritiva transversal, com abordagem de dados qualitativa, que foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas. A pesquisa qualitativa, de modo geral, responde a questões particulares e defronta, nas ciências sociais, um nível de realidade que não pode ser quantificado. Dessa forma, pode-se entender que a abordagem analisa os significados, motivos, crenças, valores e atitudes (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Minayo, 1996</xref>), e que é utilizada para descrever as experiências de vida e apreender seus significados (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Chizzotti, 2000</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B26">Minayo, 2000</xref>).</p>
            <sec>
                <title>2.1 LOCAIS DE ESTUDO</title>
                <p>A pesquisa foi desenvolvida em sete regiões metropolitanas brasileiras: Manaus (AM); Fortaleza (CE); Goiânia (GO); Vale do Rio Cuiabá (MT); Natal (RN): Porto Alegre (RS): e Campinas (SP), cuja escolha se deu de forma a contemplar diferentes regiões e realidades do país. Foram mapeados os territórios de maior vulnerabilidade social dentro do município sede da principal comarca dessas regiões, segundo Índice de Vulnerabilidade Social (IVS) estabelecido no Atlas da Vulnerabilidade Social nas Regiões Metropolitanas Brasileiras do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA, 2015).</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>2.2 PARTICIPANTES DO ESTUDO</title>
                <p>Participaram da pesquisa os seguintes profissionais com atuação na justiça criminal e formados em direito: policiais (civis e militares), juízes, promotores de justiça e defensores públicos.</p>
                <p>A amostra de participantes foi escolhida por conveniência, devido ao fato de alguns não estarem disponíveis para as entrevistas ou de não terem manifestado interesse em participar.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>2.3 ENTREVISTAS SEMIESTRUTURADAS</title>
                <p>Os dados das entrevistas foram coletados entre 2019 e 2020, por meio da utilização de roteiros semiestruturados para cada categoria de participantes.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>2.4 ANÁLISE DOS DADOS</title>
                <p>Os dados coletados nas entrevistas foram analisados e categorizados por meio de análise de conteúdo de <xref ref-type="bibr" rid="B05">Bardin (2011)</xref>, com auxílio da ferramenta computacional Atlas TI. O software Atlas TI atua como ferramenta que auxilia o processo de organização da análise dos dados, uma vez que as inferências e categorizações foram realizadas pelos pesquisadores, suportados pela base teórica.</p>
                <p>A análise por categorias é o formato mais utilizado em pesquisas; na análise temática, aquelas são construídas conforme os temas emergem do texto. Para se classificar as informações em categorias é necessário identificar o que elas têm em comum, permitindo assim seu agrupamento.</p>
                <p>Com base no material organizado, lido diversas vezes, foram identificados os temas que emergiram das entrevistas, que foram analisados e interpretados com subsídio da literatura sobre o objeto de estudo, e que são apresentados abaixo.</p>
            </sec>
        </sec>
        <sec sec-type="results">
            <title>3. RESULTADOS</title>
            <p>Foram entrevistadas 57 pessoas, conforme ilustra a tabela abaixo. Todas as entrevistas foram gravadas em áudio e transcritas.</p>
            <p>Os resultados da análise detalhados no presente artigo são aqueles que dizem respeito às percepções acompanhados de trechos das falas dos participantes, identificados como J (Juiz), DEF (Defensor público), MP (Promotor de Justiça), PM (Polícia Militar), PC (Polícia civil), e da numeração em ordem crescente (1, 2, 3,...), bem como da sigla de cada estado correspondente (AM, CE, GO, MT, RN, RS e SP).</p>
            <table-wrap id="t01">
                <label>Tabela 1</label>
                <caption>
                    <title>Participantes entrevistados por estado e por categoria. Brasil, 2019</title>
                </caption>
                <table frame="hsides" rules="groups">
                    <thead>
                        <tr align="center" valign="top">
                            <th align="left">Estado</th>
                            <th>Defensor público</th>
                            <th>Juiz</th>
                            <th>Promotor de justiça</th>
                            <th>Polícia civil</th>
                            <th>Polícia militar</th>
                            <th>TOTAL</th>
                        </tr>
                    </thead>
                    <tbody>
                        <tr align="center" valign="top">
                            <td align="left">AM</td>
                            <td>0</td>
                            <td>0</td>
                            <td>1</td>
                            <td>1</td>
                            <td>1</td>
                            <td>3</td>
                        </tr>
                        <tr align="center" valign="top">
                            <td align="left">CE</td>
                            <td>3</td>
                            <td>1</td>
                            <td>2</td>
                            <td>1</td>
                            <td>1</td>
                            <td>8</td>
                        </tr>
                        <tr align="center" valign="top">
                            <td align="left">GO</td>
                            <td>2</td>
                            <td>3</td>
                            <td>2</td>
                            <td>4</td>
                            <td>0</td>
                            <td>11</td>
                        </tr>
                        <tr align="center" valign="top">
                            <td align="left">MT</td>
                            <td>3</td>
                            <td>2</td>
                            <td>2</td>
                            <td>4</td>
                            <td>0</td>
                            <td>11</td>
                        </tr>
                        <tr align="center" valign="top">
                            <td align="left">RN</td>
                            <td>1</td>
                            <td>3</td>
                            <td>3</td>
                            <td>0</td>
                            <td>1</td>
                            <td>8</td>
                        </tr>
                        <tr align="center" valign="top">
                            <td align="left">RS</td>
                            <td>2</td>
                            <td>3</td>
                            <td>1</td>
                            <td>0</td>
                            <td>2</td>
                            <td>8</td>
                        </tr>
                        <tr align="center" valign="top">
                            <td align="left">SP</td>
                            <td>2</td>
                            <td>1</td>
                            <td>3</td>
                            <td>1</td>
                            <td>1</td>
                            <td>8</td>
                        </tr>
                    </tbody>
                </table>
                <table-wrap-foot>
                    <fn>
                        <p><bold>Fonte:</bold> Elaborada pelos autores.</p>
                    </fn>
                </table-wrap-foot>
            </table-wrap>
            <table-wrap id="t02">
                <label>Tabela 2</label>
                <caption>
                    <title>Caracterização sociodemográfica dos participantes da pesquisa nas categorias profissionais da Justiça Criminal com formação em Direito nas regiões metropolitanas da pesquisa. 2020.</title>
                </caption>
                <table frame="hsides" rules="groups">
                    <thead>
                        <tr align="left" style="background-color:#BFBFBF">
                            <th><bold>Caracterização por Categoria dos Participantes do Estudo</bold></th>
                            <th rowspan="2" align="right">
                                <bold>(N)</bold></th>
                            <th rowspan="2" align="right">
                                <bold>(%)</bold></th>
                        </tr>
                        <tr align="left" style="background-color:#BFBFBF">
                            <th><bold>“Profissionais da Justiça Criminal” com formação em Direito</bold></th>
                        </tr>
                    </thead>
                    <tbody>
                        <tr align="left">
                            <td><bold>Gênero</bold></td>
                            <td align="right">&nbsp;</td>
                            <td align="right">&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr align="left">
                            <td>Feminino</td>
                            <td align="right">18</td>
                            <td align="right">31,57</td>
                        </tr>
                        <tr align="left">
                            <td>Masculino</td>
                            <td align="right">39</td>
                            <td align="right">68,43</td>
                        </tr>
                        <tr align="left">
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td align="right">&nbsp;</td>
                            <td align="right">&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr align="left" style="background-color:#BFBFBF">
                            <td><bold>Profissão</bold></td>
                            <td align="right">&nbsp;</td>
                            <td align="right"><italic> </italic></td>
                        </tr>
                        <tr align="left" style="background-color:#BFBFBF">
                            <td>Juízes</td>
                            <td align="right">13</td>
                            <td align="right">22,8</td>
                        </tr>
                        <tr align="left" style="background-color:#BFBFBF">
                            <td>Promotores de Justiça</td>
                            <td align="right">14</td>
                            <td align="right">24,56</td>
                        </tr>
                        <tr align="left" style="background-color:#BFBFBF">
                            <td>Defensores Públicos</td>
                            <td align="right">13</td>
                            <td align="right">22,8</td>
                        </tr>
                        <tr align="left" style="background-color:#BFBFBF">
                            <td>Policiais civis</td>
                            <td align="right">11</td>
                            <td align="right">19,29</td>
                        </tr>
                        <tr align="left" style="background-color:#BFBFBF">
                            <td>Policiais militares</td>
                            <td align="right">6</td>
                            <td align="right">10,52</td>
                        </tr>
                        <tr align="left" style="background-color:#BFBFBF">
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td align="right">&nbsp;</td>
                            <td align="right">&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr align="left">
                            <td><bold>Tempo de Atuação na Área Criminal (anos)</bold></td>
                            <td align="right">&nbsp;</td>
                            <td align="right">&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr align="left">
                            <td>1 a 5</td>
                            <td align="right">6</td>
                            <td align="right">10,52</td>
                        </tr>
                        <tr align="left">
                            <td>6 a 10</td>
                            <td align="right">16</td>
                            <td align="right">28,07</td>
                        </tr>
                        <tr align="left">
                            <td>11 a 20</td>
                            <td align="right">15</td>
                            <td align="right">26,31</td>
                        </tr>
                        <tr align="left">
                            <td>21-35</td>
                            <td align="right">17</td>
                            <td align="right">29,82</td>
                        </tr>
                        <tr align="left">
                            <td>Não informado</td>
                            <td align="right">1 </td>
                            <td align="right">1,75</td>
                        </tr>
                        <tr align="left">
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td align="right">&nbsp;</td>
                            <td align="right">&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr align="left" style="background-color:#BFBFBF">
                            <td><bold>Tempo de formação (anos)</bold></td>
                            <td align="right">&nbsp;</td>
                            <td align="right">&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr align="left" style="background-color:#BFBFBF">
                            <td>1 a 5</td>
                            <td align="right">1</td>
                            <td align="right">1,75</td>
                        </tr>
                        <tr align="left" style="background-color:#BFBFBF">
                            <td>6 a 10</td>
                            <td align="right">                            5</td>
                            <td align="right">8,77</td>
                        </tr>
                        <tr align="left" style="background-color:#BFBFBF">
                            <td>11 a 20</td>
                            <td align="right">18</td>
                            <td align="right">31,57</td>
                        </tr>
                        <tr align="left" style="background-color:#BFBFBF">
                            <td>21-40</td>
                            <td align="right">                          27</td>
                            <td align="right">47,36</td>
                        </tr>
                        <tr align="left" style="background-color:#BFBFBF">
                            <td>Não informado</td>
                            <td align="right">1</td>
                            <td align="right">1,75</td>
                        </tr>
                        <tr align="left" style="background-color:#BFBFBF">
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td align="right">&nbsp;</td>
                            <td align="right">&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr align="left">
                            <td><bold>Pós-graduação</bold></td>
                            <td align="right">&nbsp;</td>
                            <td align="right">&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr align="left">
                            <td>Especialista</td>
                            <td align="right">30</td>
                            <td align="right">52,63</td>
                        </tr>
                        <tr align="left">
                            <td>Mestre</td>
                            <td align="right">7</td>
                            <td align="right">12,25</td>
                        </tr>
                        <tr align="left">
                            <td>Doutor</td>
                            <td align="right">2</td>
                            <td align="right">3,5</td>
                        </tr>
                        <tr align="left">
                            <td>Nenhuma</td>
                            <td align="right">18</td>
                            <td align="right">31,57</td>
                        </tr>
                        <tr align="left">
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td align="right">&nbsp;</td>
                            <td align="right">&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr align="left" style="background-color:#BFBFBF;border-top-width:thin;border-top-style:solid">
                            <td align="center"><bold>Total</bold></td>
                            <td align="right"><bold>57</bold></td>
                            <td align="right"><bold>100</bold></td>
                        </tr>
                    </tbody>
                </table>
                <table-wrap-foot>
                    <fn>
                        <p><bold>Fonte:</bold> Elaborada pelos autores.</p>
                    </fn>
                </table-wrap-foot>
            </table-wrap>
            <p>Como se pode observar, mais da metade destes profissionais bacharéis em direito é do gênero masculino e profissionais com título de especialista, sendo que os promotores de justiça foram os que compuseram a maior parte da amostra, 24,56%. Outro aspecto importante a ser destacado é que o perfil dos participantes é majoritariamente (47,36%) de profissionais formados há pelos menos 20 anos, 29,82% destes compreendidos na faixa dos 21 a 35 anos de experiência na área criminal.</p>
            <p>Da análise de conteúdo, resultaram 2 categorias temáticas, sendo elas “Percepções dos profissionais da justiça criminal sobre sua atuação em relação às situações de vulnerabilidade social” e “Da formação jurídica no Brasil: estágio atual e possibilidades de evolução”, que relacionam a atuação dos profissionais da justiça criminal, vulnerabilidade social e suas formações.</p>
            <sec>
                <title>3.1 PERCEPÇÕES DOS PROFISSIONAIS DA JUSTIÇA CRIMINAL SOBRE SUA ATUAÇÃO EM RELAÇÃO ÀS SITUAÇÕES DE VULNERABILIDADE SOCIAL</title>
                <p>Os participantes destacaram, nessa categoria, o que compreendem por vulnerabilidade social e refletiram a respeito de suas atuações profissionais, analisando se conseguem, de alguma forma, contribuir para a redução da privação social e para a garantia do exercício de direitos por pessoas nessa condição.</p>
                <p>Em todas as regiões pesquisadas, os participantes expressaram o entendimento de vulnerabilidade social como sinônimo de ausência do Estado na garantia de direitos fundamentais e de condições minimamente dignas de existência.</p>
                <p>Um defensor público compartilhou a visão, similar a de outros membros da mesma instituição e também do Ministério Público de Fortaleza, de que a vulnerabilidade social também se verifica pela falta de educação em direitos e pela desinformação sobre a existência inclusive de órgãos públicos que servem as pessoas socialmente vulneráveis, em sua maioria residente em bairros periféricos.</p>
                <p><disp-quote>
                        <p>A vulnerabilidade que a gente vê é realmente em vários aspectos, não só econômica né...Tem essa questão econômica mais essa social, que a gente vê que realmente a desinformação muitas vezes, sem o acesso a algum tipo de informação, pessoas que estejam mais vulneráveis nos bairros mais afastados, em bairros de periferia que muitas vezes… Aí talvez falte educação em direitos, mas na verdade tem pessoas que não sabem nem o que é um defensor público… (DEF3-CE).</p>
                    </disp-quote></p>
                <p>Na perspectiva de outros profissionais do direito, como juiz e promotores, a vulnerabilidade social também foi associada a fatores de discriminação social relacionados à cor da pele, orientação sexual, dentre outros que demarcam a realidade de algumas minorias. Em Cuiabá, chamou atenção a percepção de um dos policiais civis, também formado em direito, que entendeu a vulnerabilidade sob a perspectiva das vítimas também.</p>
                <p><disp-quote>
                        <p>Os vulneráveis socialmente são os mais vulneráveis à criminalidade, então quando eu vejo não só os atores ativos do crime, eu vejo que a grande maioria dos passivos também estão em vulnerabilidade social (PC02-MT)</p>
                    </disp-quote></p>
                <p>Nesse contexto, muitos participantes também descreveram as dificuldades que demarcam suas atuações profissionais. Dentre as limitações da carreira quanto ao atendimento de pessoas em vulnerabilidade social, juízes e promotores de justiça identificaram empecilhos relacionados à saúde mental, como o uso abusivo de drogas e transtornos mentais, que foge à esfera direta de atuação.</p>
                <p>No âmbito das polícias civil e militar, muitos participantes relataram a falta de investimento em estrutura física, operacional e em capacitações. Além disso, a saúde mental destes profissionais foi um aspecto que chamou a atenção na pesquisa.</p>
                <p><disp-quote>
                        <p>O ponto negativo que eu aponto nessa experiência é em relação a questão da falta de estrutura que temos para realizar o nosso trabalho. Muitas das vezes há um grande esforço pelo lado do policial para elucidar crimes, para buscar respostas e a estrutura é falha. Não só na questão de estrutura física, como até mesmo da falta de acesso aos outros órgãos da segurança pública, acesso ao judiciário e a questão mesmo também de não termos interligação entre os órgãos para atender uma criança quando ela está em estado de vulnerabilidade. Por mais que temos contato com conselheiros tutelar é difícil o encaminhamento… uma vítima de Maria da Penha que não tem pra onde ir, a sua acolhida (PC05- MT)</p>
                        <p>Olha, nós vivemos em tempos de sociedade doente, né, em todos os sentidos. Os profissionais que atuam na segurança pública, eles também são vulneráveis, também estão numa situação de vulnerabilidade, se não social, mas numa vulnerabilidade mais expostos a problemas, transtornos mentais, etc e que muitas vezes implica numa dificuldade de lidar com essas situações, né. É...falta muita coisa, principalmente na questão da formação dos policiais, na questão da educação permanente, de estar sempre reciclando, fazendo novos cursos, aprimorando, né, não se acomodar, isso seria fundamental, e também na questão de ter um atendimento, disponibilidade para esses profissionais conseguirem se manter sãos, sadios, tanto física quanto mentalmente (PC03-MT)</p>
                    </disp-quote></p>
                <p>Quando questionados sobre o potencial de diminuição da vulnerabilidade social a partir de suas atuações profissionais, alguns participantes de Cuiabá entenderam que o aconselhamento e o tratamento humanizado garantem uma tentativa idônea para tanto. Um juiz de Goiás descreveu o encaminhamento à equipe multidisciplinar, ou seja, a saída do sistema de justiça criminal como algo positivo e que poderá contribuir.</p>
                <p><disp-quote>
                        <p>Então é...enquanto policia a atuação mais humana é o que a gente pode fazer com relação à vulnerabilidade, porque se você...se a polícia chega na comunidade com tiro, porrada e bomba, enquanto que o traficante ele mantém a ordem na comunidade, não pode roubar, se roubar ou o tráfico cobra...ele ajuda com cesta básica aqui e ali e tudo mais, as pessoas vão temer a policia, a policia vai ser um elemento de perigo para eles (PC03-MT)</p>
                        <p> Encaminhar para a equipe multidisciplinar para dar apoio psicológico que eles precisam, não só psicológico, mas multi mesmo para sair desse círculo, sair do sistema (J01-G0)</p>
                    </disp-quote></p>
                <p>No Ceará, uma promotora de justiça apontou, como um exemplo de conduta que pode diminuir a vulnerabilidade social, a ponderação nos pedidos de prisão preventiva, que devem ser realizados apenas quando houver razões suficientes e esta se mostrar a medida inevitável ao caso concreto. Outra promotora de justiça, de Cuiabá, expressou que sua contribuição maior ocorre fora do gabinete.</p>
                <p><disp-quote>
                        <p>Uma distinção de buscar ver, dentro daquele crime, se vai pra prisão, se há uma soltura e buscar ser o mais justa nessa questão da soltura e da prisão. Levar a prisão, pedir a prisão daqueles que representam real periculosidade social, pela reiteração dos crimes, enfim, todos esses aspectos. Eu acho que tem esse reflexo também nas ruas, né?! (MP02-CE)</p>
                        <p>Eu penso que seria extra gabinete, algo fora do gabinete, na minha área, onde eu já estou há 5 anos, nós fazemos projetos, então nós temos projetos pra combater a violência doméstica (MP01-MT)</p>
                    </disp-quote></p>
                <p>A necessidade de transpor os limites burocráticos da atuação formalista e do sistema de justiça também foi identificada como maneira de redução da vulnerabilidade social por alguns participantes de Cuiabá.</p>
                <p><disp-quote>
                        <p>Eu sou bem honesta em que reconhecer que o trabalho do promotor de justiça criminal ele é… talvez a gente não tenha a dimensão de como a gente afeta a vida das pessoas que a gente tem contato, esse feedback a gente não tem... Algumas pessoas tem a coragem de vir conversar, comentar alguma coisa... Mas ao longo da minha carreira, nesses 24 anos pouquíssimas pessoas comentaram (...) Mas eu tenho plena consciência de que às vezes eu tenho que extrapolar o limite da minha atribuição profissional, que é simplesmente apurar a autoria e materialidade do crime, provar esse crime… eu tenho que ir muito além e eu falo isso para as pessoas, tanto para os agressores, para os acusados, como pras vítimas (MP02- MT)</p>
                    </disp-quote></p>
                <p>Por outro lado, para um juiz de São Paulo, diminuir a vulnerabilidade social não deve ser uma preocupação de juízes criminais. Nesse sentido, os desafios e (in) satisfações também foram um tema que emergiu nessa categoria de análise, e nele os profissionais puderam expressar os contentamentos e também as adversidades que encontram em suas atuações com pessoas socialmente vulneráveis na área criminal.</p>
                <p>Defensores públicos apontaram a falta de comunicação e relacionamento entre as diversas esferas da justiça criminal como um desafio, ao passo que promotores de justiça admitiram a frustração diante da ausência de concretização de políticas públicas e do desamparo de diversas pessoas.</p>
                <p>Na discussão acerca da vulnerabilidade social e da atuação dos diversos profissionais do sistema de justiça criminal, foi-lhes perguntado sobre a possibilidade de encaminhamento das pessoas nele envolvidas aos serviços públicos. À exceção de Manaus, em todos os Estados visitados os participantes expressaram suas opiniões a respeito.</p>
                <p>De modo geral, promotores da justiça e juízes destacaram que os encaminhamentos são restritos, porém possíveis a partir de solicitação ao órgão responsável, ao passo que os profissionais da assistência social conseguem fazê-lo quando há ordem judicial para tanto.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>3.2 DA FORMAÇÃO JURÍDICA NO BRASIL: ESTÁGIO ATUAL E POSSIBILIDADES DE EVOLUÇÃO</title>
                <p>Em relação ao ensino jurídico, quando questionados sobre a abordagem da temática de vulnerabilidade social em suas formações jurídicas, os participantes de Manaus, Natal, Fortaleza, Campinas, Goiânia, Cuiabá e Porto Alegre mencionaram não terem tido contato com a temática durante a graduação, ou que esta foi abordada muito superficialmente.</p>
                <p>As falas de um defensor público de Cuiabá e de um promotor de justiça de Campinas confirmaram a não abordagem ou superficialidade de disciplinas na formação jurídica que tratam sobre vulnerabilidade social.</p>
                <p><disp-quote>
                        <p>Não. Assim… matérias básicas… aquelas básicas. Teve psicologia, teve… mas assim, como todas a básicas, o professor não tava nem aí pra matéria, nós não estavamos nem aí pro professor, ele fingiu que deu aula, a gente fingiu que aprendeu e ninguém saiu mais inteligente (DEF1- MT)</p>
                        <p>Não, nós temos cursos né, palestras e tudo mais, mas não existe, porque veja, no Ministério Público, o enfoque nosso é a questão de ligar a vulnerabilidade com a criminalidade é... a gente não tem essa questão, essa preocupação de entender a causa do crime, porque aqui nós estamos pra aplicar a lei e pra garantir a ordem, né minimamente (MP3- SP)</p>
                    </disp-quote></p>
                <p>Alguns promotores de justiça de Cuiabá e de Manaus admitiram a pouca compreensão sobre a temática de políticas públicas nas respectivas formações, que para eles foi extremamente dogmática e com forte apego à tecnicidade da lei, mas que acreditam estar sofrendo mudanças positivas a partir da Constituição Federal de 1988.</p>
                <p><disp-quote>
                        <p>Houve uma virada de 180º na abordagem desse tipo de crime por causa dessa visão de direitos humanos… são pessoas que depois da Constituição vem sendo trabalhadas, principalmente pessoas que não são da área do direito, são psicólogos, médicos, psiquiatras, sociólogos… no trabalho escravo, por exemplo… e que isso tem sido desenvolvido no Direito com outras ciências. Mas eu não estudei praticamente nada, o meu estudo foi totalmente formal, sem condição nenhuma… não tinha nem viés humano (MP02- MT)</p>
                        <p>Como eu disse pra você… eu sempre tive essa preocupação. Entendeu? Claro que eu não tirei isso da minha faculdade de direito (...)  O direito é apenas uma instituição que tem que ser alimentada por inúmera outras ciências. Então você precisa ter uma cultura universal pra despertar e estimular essa sensibilidade social. Não adianta. Se tu ficar preso só a códigos, a estatutos legais, quando te perguntarem: “Ah, por que você resolveu dessa forma?”... “Porque tá na lei.”. Não é porque tá na lei. É porque tem uma sociedade quem tem uma determinada necessidade e isso foi atendido (MP01-AM)</p>
                    </disp-quote></p>
                <p>Em sentido contrário, alguns policiais civis (PC) de Cuiabá, bacharéis em direito, entendem de forma negativa o ensino jurídico a partir dos direitos humanos e da temática das políticas públicas, pois entendem que a legislação penal atualmente tem se mostrado branda e o papel de coerção do direito penal foi reduzido, o que teria contaminado o ensino jurídico com “questões ideológicas”.</p>
                <p><disp-quote>
                        <p>Olha eu acho que o ensino jurídico no Brasil hoje, ele está contaminado por um aspecto ideológico, e dada ai essa, eu acompanhei essa mudança do direito, por que quando eu ingressei na faculdade mesmo ano que eu entrei na polícia que foi em 1998, é o direito penal ele ainda tinha um poder coercivo maior do que tem hoje. A coerção foi sendo fragilizada por questões ideológicas, e eu acho que o direito hoje precisa mudar o olhar que o direito dá para o crime, eu acho que o direito tem um olhar de tolerância, então eu acho que estudo do direito e olhar que se dá ao direito tem que mudar, para poder contribuir por que da forma que é feito hoje levando em consideração o poder político (PC1-MT).</p>
                        <p>Então… eu acho que existe uma carga até exagerada com relação aos direitos humanos que reflete um pouco a formação da nossa constituição. Eu acho que a nossa constituição federal foi feita num momento pós governo militar e aí ela carrega muito de proteções que eu julgo serem exageradas (PC2-MT).</p>
                    </disp-quote></p>
                <p>Outro aspecto do ensino manifestado nas entrevistas como uma grande incredulidade dos participantes foi o nível de formação básica de muitos estagiários, que não compreendem a técnica jurídica e sequer dominam a língua portuguesa. Assim, promotores e defensores públicos, apesar de favoráveis à democratização do ensino jurídico, discordam da dinâmica com que a maioria das faculdades particulares tem operado, e se ressentem com o fato de o MEC não realizar um controle efeito dessa realidade de precarização.</p>
                <p>Nessa categoria, os participantes do estudo de Fortaleza, Campinas, Goiânia, Cuiabá e Porto Alegre também fizeram sugestões voltadas à atuação jurídica, levando em consideração o contexto de vulnerabilidade social e o crime.</p>
                <p>Os participantes de Campinas compartilharam como sugestão a ideia de uma formação ativa para profissionais que atuam em contextos de vulnerabilidade social, seja integrando os serviços públicos multidisciplinares já existentes, seja investindo em formação ampliada nos temas sensíveis à prática criminal, como é a questão das drogas, ou medicina legal.</p>
                <p>Nesta perspectiva, alguns participantes de Mato Grosso e Porto Alegre, respectivamente, sugeriram que o ensino jurídico seja multidisciplinar e envolva com mais profundidade o contato com a realidade, ou seja, que haja um período de estágio na formação dos bacharéis em direito e até mesmo daqueles que intencionam ingressar em uma carreira pública, mencionando a importância de um trabalho de sensibilização para os direitos humanos.</p>
                <p>Um policial civil de Cuiabá destacou a necessidade de integração entre as carreiras e diálogo institucional, para que todos os profissionais responsáveis pelo atendimento de pessoas em vulnerabilidade social na justiça criminal conheçam concretamente a atuação uns dos outros e saibam, a partir disso, reconhecer os desafios e as fortalezas de sua atuação, e com isso aprimorar a prestação do serviço público.</p>
                <p>Por fim, e diante do cenário de violações ao postulado da presunção de inocência que tem sido rotineiramente violado no país, um juiz de Porto Alegre sugeriu investimento em conscientização dos profissionais da justiça criminal sobre as alternativas à prisão.</p>
            </sec>
        </sec>
        <sec sec-type="discussion">
            <title>4. DISCUSSÃO</title>
            <p>Os resultados deste estudo podem ser contextualizados, de acordo com o recorte de estudos acadêmicos sobre Tribunais, no âmbito analítico da instituição profissional (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Santos <italic>et al</italic>, 1996</xref>), uma vez que os dados foram coletados considerando-se a dimensão profissional como uma variável que impacta a operacionalização do sistema de justiça (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Gomes, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B33">Santos et al, 2001</xref>).</p>
            <p>Ademais, a análise da formação jurídica dos profissionais que atuam na área criminal mostra-se indissociável da presente discussão, uma vez as universidades também podem ser consideradas como parte integrante deste sistema de justiça, posto constituírem, na visão de alguns autores, instâncias de reprodução da ideologia penal (<xref ref-type="bibr" rid="B43">Zaffaroni et. al, 2011</xref>).</p>
            <p>Na presente pesquisa, as falas dos profissionais da justiça que participaram da pesquisa revelam preocupação e insatisfação diante da formação que hoje é oferecida nos cursos jurídicos brasileiros, uma vez que a maioria dos participantes da área a considera apartada da realidade social do país, o que possivelmente é resultado da prioridade dada ao conhecimento dogmático em detrimento do ensino crítico e do distanciamento entre a teoria e a prática profissional.</p>
            <p>Anteriormente à promulgação da Constituição Federal de 1988, como foi salientado por alguns participantes mais experientes, o ensino do direito esteve assentado no estudo dogmático da lei, em uma abordagem conservadora que pode ser explicada pela maneira com que os cursos jurídicos foram implementados no Brasil, representando certa adequação do direito europeu à estrutura colonial (<xref ref-type="bibr" rid="B42">Wolkmer, 2000</xref>).</p>
            <p>Por outro lado, autores que se dedicam ao estudo do fenômeno do bacharelismo jurídico no Brasil reconhecem um envolvimento e destaque políticos atrelados aos bacharéis entre os séculos XIX e início do XX, os quais muitas vezes também se dedicavam às letras, jornalismo ou literatura, à época, o que resultava em formação mais crítica e humanista (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Mendes; Reis, 2016</xref>), bem como uma atuação mais militante (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Schwarcz, 1993</xref>).</p>
            <p>Nesse contexto, especialmente após o golpe militar de 1964 no Brasil, a educação passou a ser centralizada no modelo tecnicista, que valorizou a formação profissional dogmática em detrimento do modelo educacional mais humanista e baseado na realidade social. Aqui repousam as principais explicações para o “declínio” do bacharelismo jurídico no país: supervalorização do tecnicismo e o aumento descontrolado na oferta de novos cursos de direito (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Mendes; Reis, 2016</xref>).</p>
            <p>Em que pese ter havido alguns avanços nas diretrizes curriculares do curso de direito, é possível atribuir a estagnação do pensamento crítico ao senso comum predominante no ensino jurídico brasileiro (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Streck, 1999</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B06">Barreto, 1979</xref>), no âmbito do qual se priorizou um modelo profissionalizante e tecnicista que privilegia o aspecto dogmático, criando a partir disso uma tensão entre o novo papel jurídico- político assumido nas carreiras de modo geral e a anacronia de seus integrantes (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Machado, 2009</xref>).</p>
            <p>O ensino do direito penal, ou processual penal, não foge à essa realidade, pois seu ensino, via de regra, se alicerça sobre bases “político-ideológicas liberal- conservadoras, mas apresentado como neutro e comprometido com a justiça e a democracia” (<xref ref-type="bibr" rid="B34">São josé, 2021</xref>, p.46).</p>
            <p>A pedagogia formalista e dogmática (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Machado, 2009</xref>), somada à matriz positivista dos cursos de direito, produz um direito penal com formato atávico (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Amaral, 2010</xref>), fazendo com que, na prática, sejam ainda tímidas as mudanças esperadas do novo modelo, em comparação ao anterior.</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>O que se precisa superar, de alguma forma, é a compreensão de que o Sistema de Controle Social dará conta dos problemas gerados pela alteração do modo de produção, bem como do discurso expansionista do Direito Penal e de flexibilização das garantias processuais. É necessário superar o que se pode chamar de “Processo Penal do Espetáculo”, movido pela junção equivocada e iludida de esforços. De um lado a Esquerda Punitiva (Karam) e de outro a Direita de sempre, defendendo cinicamente os valores da sociedade</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B31">Rosa, 2015</xref>, p. 212).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>O ensino jurídico tecnocrata é resultado do distanciamento entre o que se aprende na graduação em direito e a realidade social, sendo comum que os profissionais da área adquiram consciência dessa disjunção após se formarem, já na atuação forense. Na visão de Gustavo Guerra, o ambiente acadêmico do direito, na maior parte dos casos, reserva-se à profissionalização apenas, e está longe de cumprir o papel para o qual foi pensado, qual seja o de espaço voltado à inquietude, à dúvida, aos debates (2010).</p>
            <p>Embora a vulnerabilidade, em si, seja um termo polissêmico, cujo sentido é empregado em diversos campos do conhecimento (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Schumann, 2014</xref>), as suas primeiras conceituações foram compreendidas como insuficiência de recursos materiais; mas a categoria pobreza se mostrou limitada diante de outros riscos sociais relacionados a doenças, desemprego, insegurança pública, ausência de lazer e vazio de outros direitos fundamentais que alicerçam a noção de dignidade humana (<xref ref-type="bibr" rid="B01">Abramovay, 2002</xref>).</p>
            <p>Desde 2018, as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Direito estabelecem que os Projetos Pedagógicos do Curso de Direito estruturem a integração transversal dos conteúdos exigidos com diversas políticas, entre elas a de educação em direitos humanos (<xref ref-type="bibr" rid="B11">MEC, 2018</xref>).</p>
            <p>Com isso, espera-se que os bacharéis em direito não apenas conheçam a construção histórica dos direitos humanos e do significado de atribui-los a todos, indistintamente, mas que em suas atuações estejam preparados tecnicamente para o processo de garantia e ampliação de tais direitos, estimulando a formação continuada na matéria para os profissionais da área que atuem diretamente com os direitos humanos (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Rodrigues; Lapa, 2017</xref>).</p>
            <p>No presente estudo, os participantes tiveram a oportunidade de compartilhar suas percepções com relação à vulnerabilidade social. Pelas falas da maioria dos envolvidos emergiu o sentido de vulnerabilidade relacionado à ausência do Estado na consecução dos direitos sociais fundamentais, tais como educação, saúde, segurança, trabalho e lazer.</p>
            <p>No entanto, segundo os participantes da pesquisa, suas opiniões acerca da vulnerabilidade social foram construídas a partir da atuação prática e de cursos posteriores à formação jurídica, uma vez que na graduação não houve qualquer discussão de temas relacionados à vulnerabilidade social, políticas públicas ou mesmo direitos humanos. A abordagem destes temas ocorreu em casos pontuais e geralmente no contexto de pós-graduação ou na formação das respectivas Escolas de formação.</p>
            <p>Daí a importância da relação estabelecida entre políticas públicas e o direito, porque o estudo jurídico das políticas públicas resulta do movimento de abertura do direito à interdisciplinaridade (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Bucci, 2006</xref>), cuja relação é inevitável.</p>
            <p>Nesse contexto, ignorar os problemas sociais que inevitavelmente desembocam no sistema de justiça criminal é um ato político, que integra um contexto macroeconômico de captação de interesses políticos e mercadológicos que demarcam o ensino jurídico, especialmente nas instituições de ensino particulares, que no contexto nacional, representam mais de mais de 80% do percentual de instituições de ensino superior (<xref ref-type="bibr" rid="B22">INEP, 2019</xref>).</p>
            <p>A resposta ao questionamento sobre o papel exercido pelas faculdades de direito, o que se pretende ensinar, por meio de qual método e para qual finalidade perpassa, necessariamente, pela escolha de uma concepção de ensino jurídico (Vásquez, 2008): formalista ou positivista ortodoxa; crítico- realista ou democrática. Nesta vertente, os princípios fundamentais e direitos sociais ganham centralidade.</p>
            <p>Na presente pesquisa, observou-se que os atores do sistema de justiça criminal apontam para a necessidade de discussão sobre políticas públicas na formação jurídica, pois reconhecem a complexidade do tema na prática e identificam os desafios que poderiam ser superados caso houvesse uma abordagem familiarizada nesse campo.</p>
            <p>O estudo trouxe à tona um movimento imprescindível às investigações jurídico- científicas, qual seja o de ouvir profissionais da área sobre as percepções da realidade, ou seja, o que consideram como empecilhos à atuação, dificuldades e também para enaltecer o que tem sido promissor nesse campo.</p>
            <p>Policiais civis com formação em direito, de modo geral, dividiram as opiniões sobre a atuação, pois ao mesmo tempo em que alguns policiais reconheceram a importância de atuação voltada à prevenção por meio de tratamento isonômico nas abordagens rotineiras, bem como pela realização de projetos sociais, outros compreendem que o contato com a comunidade não seja atribuição da instituição.</p>
            <p>Promotores de justiça e juízes mencionaram, como sugestão à formação jurídica, o investimento em capacitação aprofundada sobre temas relacionados à vulnerabilidade social e à rede de atenção multidisciplinar para o manejo eficaz dessa realidade, bem como em formação ativa, que integre, de fato, os diversos serviços públicos.</p>
            <p>Em que pese algumas mudanças estruturais no currículo mínimo do curso de direito, ainda falta muito a ser produzido no âmbito ensino jurídico que reflita melhorias na atuação e no manejo dos problemas sociais que desaguam no sistema de justiça criminal.</p>
            <p>A valorização da disciplina de criminologia, por exemplo, tornando-a obrigatória e com duração mínima de um ano em todas as faculdades de direito é um primeiro passo imprescindível na construção de um ensino jurídico crítico e transformador na área criminal.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
            <p>Por todo o exposto, é notório que a expansão da oferta de ensino jurídico nos últimos anos não significou a democratização das carreiras jurídicas no país, bem como não tem atingido os objetivos esperados a partir da entrada em vigor da última LDB. Pelo contrário, o Brasil é um dos países com o maior contingente de cursos de graduação em direito no mundo, e as avaliações periódicas realizadas pelo MEC e pela OAB demonstram a baixa qualidade dos bacharéis que anualmente sobrecarregam o mercado de trabalho.</p>
            <p>Para além da avaliação do desempenho técnico após a conclusão do curso em uma das mais de 1.500 instituições que oferecem o ensino jurídico no Brasil, o presente estudo buscou compreender a percepção dos profissionais bacharéis em direito que atuam na justiça criminal sobre o enfoque atribuído à vulnerabilidade social no ensino jurídico.</p>
            <p>Como se observou pela análise dos resultados obtidos, os profissionais da justiça criminal têm consciência da realidade de vulnerabilidade social e dos contextos de vida das pessoas criminalizadas que estão nessa situação, mas reconhecem que a formação em direito está apartada da realidade social do país, assentando-se no dogmatismo da lei e com isso criando um abismo entre teoria e prática profissional.</p>
            <p> Nesse contexto, ademais, os participantes admitiram que o contato com discussões relacionadas à vulnerabilidade social ocorreu pontualmente e em ambientes diferentes daqueles dos bancos da graduação (principalmente em cursos de pós-graduação). Apesar de alguns avanços observados nas diretrizes curriculares do curso de bacharelado em direito, ainda se prioriza um modelo profissionalizante e tecnicista, cujo enfoque é a preparação para exames como os da OAB e de concursos públicos.</p>
            <p>O ensino das ciências criminais não se apresenta como exceção a essa realidade, e os resultados da atuação dos profissionais com atuação na área são constrangedores considerando-se os índices de encarceramento (massivo), de seletividade penal e de reincidência que se apresentaram há décadas no Brasil.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <fn fn-type="other" id="fn08">
                <label>8</label>
                <p>Segundo a LDB, a responsabilidade pela autorização, credenciamento, supervisão e avaliação dos cursos e estabelecimentos é dos Estados, ao passo que as instituições de educação superior mantidas pela iniciativa privada estão compreendidas no sistema federal de ensino.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn09">
                <label>9</label>
                <p>O fenômeno da seletividade se manifesta quando os órgãos responsáveis pela persecução realizam constrangimentos e seleções exclusivamente para um perfil de pessoas na sociedade, provocando desigualdades de tratamento no campo da segurança pública e da justiça criminal (<xref ref-type="bibr" rid="B37">SINHORETTO, 2014</xref>).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn10">
                <label>10</label>
                <p>No sistema prisional masculino, o perfil das pessoas presas é de indivíduos jovens, de até 29 anos (55%), negros (64%) e com baixo grau de escolaridade (BRASIL, 2017). Com as mulheres, a seletividade do sistema de justiça criminal atua de modo similar: a maioria das custodiadas são jovens (47,33% têm idade inferior a 29 anos), solteiras (58,4%), de raça/etnia parda (48,04%), quase 60% são mães e possuem baixa escolaridade, sendo que 44,42% destas têm o ensino fundamental incompleto (<xref ref-type="bibr" rid="B10">BRASIL, 2019</xref>).</p>
            </fn>
        </fn-group>
        <ref-list>
            <title>REFERÊNCIAS</title>
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