BARREIRAS RACIAIS NO ACESSO A CARGOS DE ALTA GESTÃO NAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS BRASILEIRAS ENTRE 2011 E 2022.
Resumo
Este estudo avalia a existência de possíveis barreiras raciais no acesso a cargos de alta gestão em instituições financeiras brasileiras, considerando o período entre 2011 e 2022. A análise baseia-se nos microdados da Relação Anual de Informações Sociais, disponibilizados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (RAIS/MTE), e emprega regressão linear múltipla como principal metodologia para examinar as associações entre raça, escolaridade, tempo de emprego, gênero e tipo de ocupação com os valores da remuneração média anual. Essa abordagem é complementada por um modelo de regressão logística (Logit) e pelo uso do indicador odds ratio, que possibilitam estimar a relação estatística entre essas variáveis e a probabilidade de indivíduos ocuparem cargos de liderança. A modelagem permite identificar padrões condicionais, mantendo constante o efeito das demais covariáveis. Os resultados sugerem que indivíduos negros, especialmente mulheres, apresentam menor probabilidade de alcançar posições hierárquicas elevadas, mesmo quando possuem perfis semelhantes a outros grupos étnicos, sobretudo brancos. Tais disparidades podem refletir barreiras estruturais e indicam que as desigualdades no setor financeiro não se explicam apenas por diferenças na qualificação individual. Apesar de avanços recentes, o ritmo de mudança ainda se mostra insuficiente para assegurar uma representação equitativa entre os grupos raciais. A pesquisa reforça a importância da ampliação de políticas de inclusão racial e da promoção de ações institucionais voltadas à diversidade em todos os níveis organizacionais.