O Paradoxo da Educação Financeira Escolar diante do Desafio de Professores Endividados Formarem Sujeitos Financeiramente Conscientes
Resumo
Com a incorporação da educação financeira à Base Nacional Comum Curricular, parte da responsabilidade pela formação de competências ligadas ao consumo, ao planejamento e à decisão econômica passou a recair sobre a escola. O movimento, contudo, ignora um dado incômodo: os professores que mediam esses conteúdos vivem, em boa medida, sob as mesmas pressões econômicas que a política diz combater --- endividamento, múltiplos vínculos, recurso recorrente ao crédito consignado. Examinamos criticamente, neste ensaio, essa contradição. Defendemos que o êxito de uma política de educação financeira escolar depende menos da inserção curricular do tema do que do reconhecimento das condições materiais e simbólicas dos docentes que a implementam. Mobilizando a teoria da prática de Bourdieu e contribuições da economia comportamental, sustentamos que comportamentos econômicos respondem menos a conhecimento técnico do que a disposições incorporadas em trajetórias sociais concretas. Iniciativas voltadas à formação financeira dos estudantes, conclui-se, só produzem efeitos consistentes quando integradas a políticas de proteção e formação econômica dos próprios professores.Downloads
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Publicado
2026-07-09
Como Citar
Raony Bourscheidt Rossetti, Alexandre Dellamura Sarmento, Carlos Alberto Acevedo Cabral, & Maurício Fernandes Pereira. (2026). O Paradoxo da Educação Financeira Escolar diante do Desafio de Professores Endividados Formarem Sujeitos Financeiramente Conscientes. Boletim Economia Empírica, 6(1). Recuperado de https://www.portaldeperiodicos.idp.edu.br/bee/article/view/9144
Edição
Seção
Artigos