Terrorismo: financiamento, detecção, integração de dados e privacidade.

Ricardo Bravo, José Roberto Rodrigues Afonso

Resumo


Uma questão essencial para a sustentabilidade de grupos de terrorismo é a atração de recursos e pessoas para tais organizações. Nesse sentido, destacam-se características do Estado Islâmico (ISIS) que facilitam o ingresso de novos membros na organização terrorista e que ao mesmo tempo dificultam que o movimento seja debelado. Em relação ao financiamento, destaca-se que a despeito da multiplicação de informações no mundo cada vez mais interconectado e moldado por redes, estas escondem pontos frágeis ou ocultos, que são justamente o que permite a atuação de certos grupos, assim como lavagem de dinheiro. Especificamente, identificam-se características que tornam a estratégia do ISIS persistente frente à legislação brasileira que parece não ser adequada a um efetivo controle sobre mecanismo de lavagem de dinheiro, com destaque aos controles societários e contábeis. Sobre a possibilidade de coleta de dados de forma massiva aponta-se para a necessidade de revisão do conceito de privacidade e identidades, assim como a necessidade de que a própria coleta e seus fins sejam auditáveis. Nesse sentido, investigam-se as hipóteses pelas quais estratégias de coleta de dados, identificação e rastreabilidade são ineficazes e opostas a discursos declarados por governos. Conclui-se que falta de identificação de requisitos sobre o manejo de informações de forma mais abrangente e efetiva.


Palavras-chave


Estado islâmico; ISIS; terrorismo; lavagem de dinheiro; privacidade

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